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Domingo, Julho 15, 2007


Acabou!

É certo que não será uma notícia tão bombástica. Este blog não existe mais. Pelo menos não neste endereço.
Informo que estou mudando, a partir de hoje, a base deste blog. Seu servidor passa a ser o blogspot.
Portanto, a quem interessar possa, meus textos desde então estão publicados em http://cronicaos2.blogspot.com.
Foi bom enquanto durou e nos vemos em outro servidor!
See you!

KEMIS VIANA DA SILVA - 1:18 PM

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Sábado, Junho 23, 2007


Ando Só

Hoje pela manhã, assim que levantei da cama, começaram a brotar espontaneamente algumas palavras da minha cabeça, numa cadência que mais lembrava um poema sendo recitado. Dizia, se bem me lembro, algo como:

"Caminhei a vida inteira, enfrentando tempestades numa insólita odisséia.
Certa vez, pensei ter visto algo a meu lado; descobri ser minha sombra, que solene disse:
Continue a caminhar, não se importe com seu lado, não haverá ninguém.
Todo ser humano nasce e morre sozinho. Aceite sua sina".

Ponto final. Não pensei em mais nada. Na verdade, sequer tive a sensação de que fosse eu o dono daquelas palavras.
Estranho como funciona o mecanismo do cérebro. Já me peguei no meio da madrugada lembrando e cantando cada vígula de letras de músicas que nem sonhava que ainda poderia me lembrar. No dia seguinte, entretanto, tento a todo custo lembrar da tal música, mas nada.
Outras tantas vezes, me peguei num interregno entre sonho e lucidez, pensando em soluções científicas para problemas como a dívida externa e a má distribuição da renda. Absurdo. Um dia me lembro de estar quase chegando a um fim pacífico do conflito entre árabes e judeus.
E sobre este suposto poema, lembro que menos de uma hora antes sonhava que estava na sala de espera de um teatro, quando três garotas, todas lindas, davam em cima de mim descaradamente. Ótima razão para acordar de muito bom humor. E de repente me vem um poema gótico-romancista e depressivo como este.
Curiosamente, tive um ótimo sábado, a despeito do que indicava a primeira frase desta manhã promissora.
Vai entender, né?

KEMIS VIANA DA SILVA - 10:09 PM

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Sábado, Maio 19, 2007



Grands Magasins au Bon Marché

Lírico, onírico. Chamem como quiser. Mas foi a definição que dei para minha última estada em Manaus. Poderia dizer em bom tom que dessa vez valeu a pena me deslocar mil e tantos quilômetros selva amazônica afora.

Já se tornou característica a quem me conhece a ligeira aversão que tenho em ir a Manaus. Não sei explicar o porquê, mas aquele clima quente-úmido e abafado, com aqueles cheiros típicos do movimento popular nas ruas sujas do centrão - onde comumente me hospedo pela facilidade em se tomar ônibus vazios - tudo isso sempre me causou uma má impressão sobre a capital amazonense.
Mas como se costuma dizer: desta vez foi igualzinho, mas diferente. Primeiro, tentei não relevar tanto estes aspectos negativos, pois inevitavelmente eu os teria que enfrentar de todo jeito.
Creio que o diferencial esteve na programação que montei para o último dia da minha estada, a sexta-feira. E ai de mim se não fosse a sexta. Teria me lamentado por ter passado uma semana inteira com um resfriado que tomei logo na primeira noite, por causa do ar condicionado do quarto. Passei a semana indo meio que à força para o treinamento da empresa, entre um espasmo de febre e outro.
Mas enfim, foi um grand finalle.

Manaus está sediando seu XI Festival de Óperas e uma das minhas maiores vontades era a de poder assistir a uma. Infelizmente, ainda não foi dessa vez, pois a programação não me ajudou. A peça mais próxima de mim só estava prevista para o domingo, quando eu já teria retornado para casa. Mas eis que me resta uma opção. O recital de obras clássicas que seria realizado na sexta à noite era a pedida.
Entrada franca (e mesmo que fosse os olhos da cara, eu iria assim mesmo), e lá estava eu, entre o numeroso público que ocupava a sala de apresentações do Centro Cultural Palácio de Justiça. Depois de mais ou menos uma hora de uma interminável espera, começa o espetáculo. E o que assisti a partir daí é quase indescritível.

Solistas de timbres afinados e poderosas vozes, masculinas e femininas, de fazer tremer os tímpanos. Performances fantásticas dos sopranos e mezzo-sopranos, que se alternavam numa sequência de obras maravilhosamente interpretadas e cantadas em italiano, português e alemão.
Um espetáculo que, de tão bonito, ofuscava até mesmo a certa dose de insensatez presente à sala.
Uma moça na fileira da frente fez o favor de levar uma linda e resmungante garotinha que, em dado momento, chegou a disputar espaço com o soprano para ver quem tinha a voz mais forte (o que me leva a pensar o que se passa na cabeça de um pai que leva os filhos para locais inapropriados). Ao lado dela, uma infanto-juvenil boba, tirando auto-retratos com seu celular e falando bobagem a todo momento. Enfim, eles não sabem o que fazem.

Voltando à parte boa, achei interessante o fato de estar ali, diante de meus olhos, aquela que considero uma das maiores proezas do ser humano, a de tocar e emocionar profundamente o íntimo do seu próximo.
Era fascinante a feição embasbacada do casal de australianos na fileira de trás, e das duas senhoras, que horas antes, ainda na escadaria de entrada do Palácio, me perguntaram "what's the name of this tree?", apontando para o que acredito fosse um pé de fico.
Pareciam não acreditar estarem em meio à selva amazônica, no interior de um lindo prédio de arquitetura art-noveau, ouvindo a uma mezzo-soprano com rosto caboclo cantando uma obra de Franz Schubert com um alemão impecável. E o mundo novamente põe suas barreiras abaixo.

De uma cidade cabloca, com seus ambulantes vendendo tucumã e isqueiros fuleiros, sob paradas de ônibus sujas e abarrotadas de gente, que se esgueira pelas adjacências do Porto, acabei extraindo outra imagem bem melhor de Manaus. A de um lugar que, como tantos outros, só quer um pouco de dignidade e respeito para si. Acredito que esta nova percepção seja somente uma simples manifestação da lição que tenho tentado absorver, que é a de contemplar e aproveitar a caminhada, por mais dura que esta possa ser.

Compartilho, a seguir, uma pequena palhinha de uma das performances às quais assisti naquela noite memorável, em Manaus, e que pude gravar com o que me restou de espaço na memória da câmera.

² Kátia Freitas, soprano
Gaetano Donizetti - Don Pasquale - Quel guardo il cavalieri

KEMIS VIANA DA SILVA - 8:57 PM

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Domingo, Maio 06, 2007


Santa Maria, Pinta e Nina

Um encontro casual entre amigos. Pá daqui, pá de lá e vem à tona um assunto sobre planos para o futuro e carreira profissional. Fiquei atônito.
Apesar de falar pouco, nunca fui de fugir de um bom papo quando a ocasião pede, nem costumo ficar sem assunto numa roda de conversa. Coisas boas que os livros de me deram: um pouco de conteúdo, pelo menos eu acho.
Mas falar de futuro? Não, aí não saiu nada.
Para variar, minha amiga não me deixa esquecer daquela velha máxima: toda caminhada torna-se mais difícil quando não se sabe para onde se quer ir.
De fato eu tive, a duras custas, que concordar com a proposição e admitir de peito aberto que encontro-me à deriva quanto ao que pretendo para o meu futuro. Uma pós? Um mestrado? Professor, técnico ou pesquisador? Que tal um executivo engravatado e bem suscedido andando num conversível último modelo? Juro, estou com 27 e não sei.
Tem me causado preocupação essa pura falta de ambição. É como se tudo tivesse perdido seu sabor e, junto com ele, o sentido que torna digna de ser executada cada uma daquelas tarefas bobas da vida, como ir ao supermercado comprar uma sacolinha de limão.
Pensando um pouco mais longe, qual o papel desempenhado por pessoas como eu em dias competitivos e exigentes como os atuais?
Mesmo que fosse em outras épocas, um ostracismo como esse não teria permitido que novos continentes tivessem sido descobertos, que novas terras fossem desbravadas.
Quem pode gostar de alguém que não quer nada com a vida, ou que não sabe o que vai fazer amanhã, num domingo escaldante?
As coisas andam muito chatas por aqui, chupando bala com a casca por cima e lambendo gelo.
Hamster de gaiola, preso às minhas próprias limitações e desperdiçando um talento que sei que está aqui dentro, mas que não sei qual é.
Preciso de um empurrão, de algo que justique cada dia. Me ajudem, por favor.

KEMIS VIANA DA SILVA - 2:01 AM

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Sábado, Abril 21, 2007


"Cada um de nós é um universo"

Bom de fronte à janela do meu quartinho apertado, quis o infeliz arquiteto que também ficasse a janela do meu vizinho. Por conta desse pequeno erro estrutural fui condenado a ser constantemente surpreendido com os ataques eventuais de nostalgia de meus prezados cerca-com-cerca. Neste sábado, acho que meus houses, technos e assemelhados irritaram o cara, e ele foi direto no CD do Raúl Seixas.
Não posso negar minha irritação com som alto no meu ouvidor-de-baião em pleno meio-dia, mas pelo menos algo de útil na barulheira. Um verso do Raul que diz que "cada um de nós é um universo".

Entendo que o próprio vizinho guarda uma espécie de saudade de seus tempos de garotão curtidor, que resolveu casar e ter filhos. Afinal, já tem alguns anos que moramos lado a lado e foi isso que aconteceu, eu vi.
Mas o verso é mais universal que isso. Deixa uma mensagem que me faz pensar na decisão que um colega de trabalho tomou nessa semana, largar o emprego com menos de seis meses de contratado.
Estabilidade? Que tipo de estabilidade é mais válida do que a sensação de estar seguindo seu rumo pela trilha certa?
Que dane-se a mulher e os filhos, meu vizinho estava era querendo dizer que ele ainda é ele. Que sua vida ainda lhe pertence.

Muita coisa tem mudando, os ventos são outros. Percebo uma série de coisas modificando e o que mais me inquieta: eu não sei se são para bem ou para mal.
Decisões. Quais tomar num ambiente nebuloso de indefinições como este?
Menos gastos, mais felicidade. Estas são minhas prioridades atualmente.

Meu vizinho é um mala-sem-alça, de certo. Mas essa da música do Raúl até que valeu o dia.


KEMIS VIANA DA SILVA - 2:47 PM

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Quarta-feira, Abril 04, 2007


Sem emoção, não dá

Os últimos dias têm me feito perguntar se é possível sobreviver mergulhado numa completa letargia.
Pode ser impressão, mas ao olhar para os lados, não vejo mais nada. Os campos secaram, não chove mais e o verde, as flores coloridas, esses pararam de brotar. E eu não estou falando de um ponto de vista ecólogico ou botânico.
A grande razão para o passo que se dá à frente é a boa perspectiva que essa caminhada nos reserva no futuro. Crente desta máxima, me vi surpreso ao dar conta de que neste momento, pouco ou nada tem mais me proporcionado prazer algum. Os lugares, os programas, as pessoas e até a comida parecem não ter mais a menor graça.
Tenho tentado me impor a idéia de que isto seja só uma nuvem cinza passando devagar aqui por cima. Sei que mesmo nas vidas das cabeças mais iluminadas da História, sempre houve os dias menos inspirados e as fases deprês em que a mente insiste em não produzir nada de útil.
Mas quanto tempo, em média, costuma durar uma dieta destas? Um mês, um ano, o tempo de fumar um cigarro na sacada?
Eu ando tão down. Mas não tenho expressado. Talvez more aí o perigo.
Guardar para si minhas angústias tem sido minha penitência e tem causado danos extremamente nocivos à minha convivência com o mundo.
Bater palmas, mas sem calorosidade. Apertar uma mão, mas só por conveniência. Dar os parabéns, mas como forma de cumprir a etiqueta.
Qualquer ação, a mais insignificante que seja, torna-se insossa quando feita sem a motivação interna, aquela que dá o calor da coisa.
Ou me engano ou só costumo ser expressivo uma vez a cada quatro anos, durante as Copas do Mundo. No resto, eu me contenho.
E como aparentemente toda a culpa neste caso é minha, queria me queixar antes do veredicto.
A inexpressão que me afeta é só extensão de algo que vem antes. Acredito ser alvo de uma revoada negativa, que impede que coisas naturalmente boas e naturalmente motivantes cheguem à minha vida. Ou eu vou ser obrigado a chupar gelo a vida toda? É o que parece.
Um carro não roda sem combustível, eu não rodo sem emoção. Se contunuar tudo cinza e branco assim, não vai dar.

²Snow Patrol - Open your eyes.mp3

KEMIS VIANA DA SILVA - 1:58 AM

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Sábado, Março 24, 2007


Déjà vu - 2

Já imaginaram a sensação de ter uma turbina de avião caindo sobre sua cama enquanto você dorme?
Bizarro, não? Pois este é desfecho de um dos filmes que mais me intrigaram dentre todos os que já vi em minha vidinha de cinéfilo.
Donnie Darko é um filme americano de 2001 e pouquíssimo conhecido do grande público. Traz consigo em seu enredo uma lista de coisas toscas e desconexas, mas que, no conjunto compõem um bom filme.
Acho que em outra ocasião já cheguei a postar aqui algo especificamente sobre ele. É que remexendo nas relíquias do titio Tube, acabei achando a trilha sonora que serviu de fundo musical para a seqüência final do filme, justamente a cena da turbina que descrevi no início.
Num filme que, para me levar ao delírio, é carregado de referências da década de 80, com músicas do Duran Duran, e por aí vai, eis que sou pego de surpresa com "Mad World", um hit antigo do Tears For Fears que, por sinal, é umas das minhas 80's bands preferidas.
Após uma releitura muito bem executada pelo singer Gary Jules, a música caiu como uma luva para a tomada final toda slow motion, em que a maldita turbina e o féretro do personagem principal são tirados dos escombros. A música pegou tão bem, que tornou-se uma verdadeira febre filmar cenas semelhantes nas produções de Hollywood.
Coincidência ou não (e creio que não seja), já ouvi a música servindo de fundo para cenas totalmente iguais em Smallville, Without a Trace e até em CSI.
Bem, isto posto, permitam-me duas conclusões a respeito do descrito acima.

Primeiro. Releitura parece ser algo necessário ao mundo cultural dos nossos dias. Poucas vezes se chafurdou tanto nos clássicos do rock. O YouTube anda esbaldado de clipes que reproduzem desde a disco music até a discoteca de meados dos 80's. Até na música eletrônica, os sintetizadores parecem ter reemergido no cenário (conheço pelo menos uns quatro hits emplacados nas pistas).

Segundo. Aos mais interessados, fica a dica de vídeo. Donnie Darko é o tipo de filme que tenta juntar todas situações mais improváveis para ilustrar um fenômeno psicológico, que vez ou outra resolve se manifestar nas pessoas: a incapacidade de se sentir satisfeito com a vida e de encaixar em suas regrinhas básicas. Na história, Donnie é um típico adolescente americano, vivendo o não menos típico american way of life. Não lhe falta casa, carinho familiar, namoradinha, nada. É um pouco problemático na escola, mas nada que o torne uma aberração, apesar de seu nome estranho. Mas a síndrome-de-peixe-fora-d'água é um traço bem destacado em todo o filme, que termina mais tocante ainda com a versão altamente depressiva de Mad World. Vale a pena conferir o clipe...


KEMIS VIANA DA SILVA - 11:31 PM

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Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007


Zurich - Calcutá

Pensei desde ontem em postar este texto. Cansado que estava, resolvi reconsiderar: devo estar estressado de mais um dia sobrecarregado e acompanhado de um ameno clima de 35º C. Não, engano meu. Vou escrever, já que estou de bom humor, mas com o mesmo sentimento de ontem, que suspeito ser frustração.

Ato I. Sou aluno de um novo curso, mais uma vez em minha vida. E quando eu pensava que estaria de volta para exorcizar o caso mal resolvido que cultivei nos últimos 04 anos com o curso de Sistemas de Informação, eis que me deparo com uma suspeita preocupante: eu estava gostando de Economia, sim.
Deu até pra notar os assuntos relacionados às taxas de juros, os redescontos, e por aí vai, se espalhando lentamente pelas minhas veias.
De repente me vi assistindo ao Jornal da Globo e entendendo perfeitamente o que o Waack dizia, enquanto o cara da mesa ao lado babava sem compreender a moral da história. Sim, um aspirante a economista!

Ato II. Só posso estar louco. Saudades de Economia a estas alturas?! Ainda mais hoje, justo hoje, quando soube lá pelas 11:00 da manhã que o incentivo da empresa vai me bancar 50% das mensalidades na particular?
Bem, que tal então experimentar a primeira aula? Afinal, fui promovido direto para o 3º período, o que me poupa de ser exposto à deplorável condição de "bicho". E aí que veio o baque! Quando eu imaginava ter entrado numa sala de aula, me deparo com um verdadeiro estouro de gado desgarrado. Confesso que me senti numa festa da Farra do Boi, não, melhor, me senti personagem de um episódio da Escolhinha do Professor Raimundo. A professora, muito bem intencionada, simplesmente não conseguia se fazer ouvir. O que era aquilo?!

Ato III. Como era de se esperar, o clima de trote da universidade não deixou a aula durar mais que uns 45 minutos. Desci as escadarias e respirei fundo ao sair do prédio. Neste momento, a melhor comparação cabível que encontrei foi a de um passageiro que vivia na Suíça da maturidade e da verdadeira postura acadêmica, e desembarcou no caos de uma cidade indiana ou no fim da Naníbia. Perdoem a comparação preconceituosa, mas tive que radicalizar.

Ato Fim. Conclusões sobre o dia. Não sei se vou conseguir andar para trás deste modo, saindo de um ambiente onde os alunos são de fato alunos, e se portam como tal, para me enfiar em uma sala de 10m X 10m lotada de marmanjos cabeças-ocas, que se portam como um bando moleques. Meu tempo de jardim de infância já passaram. A propósito, esta experiência, somada à do curso de Inglês, que também não é barato, me deixou em dúvida quanto à decisão de desembolsar tanta grana em troca de coisas que não me proporcionem PELO MENOS "orgasmos" de satisfação em estar usando serviços TÃO caros.

Enfim, deixemos o tempo se encarregar. Fim da mensagem.

²Eels - Love Of The Loveless.mp3

KEMIS VIANA DA SILVA - 2:29 AM

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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007


O auto da barca do inferno

Tem dias em que algo de estranho acontece, fazendo mudar a direção de todas as coisas. Uau! Que subjetivo!
Nova tentativa.
Tem dias em que eu acordo, e vejo que a mesinha de centro, antes colada na parede, agora está fixada no meio da sala.
Sinal de que coisas bem menos cotidianas estão podem estar por vir.
É difícil explicar o porquê, mas hoje amanheci com uma estranha sensação de que minha máscara caiu. Era uma vozinha ressonante e insistente sussurando no meu ouvido: "você é uma farsa".
Estive pensando bem e me perguntando: quanto do que eu falo eu faço?
Algumas coisinhas nos últimos dias têm me apontado o "quase nada" como resposta mais provável.
Não tenho compartilhado com mais ninguém meus dilemas mais recentes, pois percebi o quanto parece chato para as pessoas ficarem ouvindo minhas ladainhas.
Mas fato é que no trabalho tenho me sentido um incompetente total, ao não conseguir lidar com a enxurrada de responsabilidades que me recaem. E a reboque, também não me faltam uns bons "grilos" de ordem pessoal.

Aeroporto Internacional de Rio Branco. Meu fantasma tem um nome: Sistema da Qualidade. Missão: deixar nosso caótico aeroporto arrumadinho até março para uma auditoria de certificação ISO 9001. Sem entrar em detalhes tecno-burocráticos, eu sou o responsável direto por implantar uma qualidade, que na vida real se resume a muito trabalho acumulado e pouca gente para executar. São dezenas de procedimentos para ler e por em prática, centenas de diretrizes, uma papelada do caralho e muita gente difícil de lidar. Para amassiar, a cada três meses, uma visita prévia dos gerentes de Manaus, que me sacaneiam (mas com jeitinho) por não cumprir as metas do programa. No final das visitas, planos e mais planos de ação, que três meses depois continuam pendentes. Ou seja, uma reedição do inferno de Dante. Mas resumindo: com esta e mais outra tarefa (a manutenção) acumuladas, tanto uma quanto a outra estão duas verdadeiras merdas.

Na vida pessoal, gastos mensais em escala galopante e um estado civil que continua sendo solteiro (ou diria jogado?). Às vezes me pego andando sozinho pelas ruas da cidade procurando não sei pelo quê. Outras vezes até ando acompanhado, bem acompanhado, poderia dizer. Mas com uma sensação de vazio enorme, pois continuo me sentindo só, apesar dos meus promíscuos casinhos eventuais. É aquela síndrome recorrente de "onde está a minha pessoa?" mais viva do que nunca. Definitivamente, há algo inacabado nisso tudo. Que tipo de marciano eu sou?

Para ambas as colocações, um veredicto em comum: falta de ação. Meu remix século XX hoje se resume a: 1) cinco anos preso a um trabalho que não me permite o luxo me graduar e, com isso, nada de muito promissor para o futuro; 2) várias pendengas amorosas, a mais recente de ontem mesmo. Pena não poder contá-la, mas posso afirmar, causada mais uma vez pelo fato de eu não saber fazer as coisas que eu digo.

Em suma: não dou conta das minhas tarefas como devia. Nessa vida, as coisas são naturalmente complicadas, difíceis e desafiadoras. Mas a minha onda é se queixar e depois de meses se queixando, deixar tudo como estava o começo. Ou seja, eu sou mesmo uma farça mesmo e acabou. Algo de bom nisso tudo: pelo menos eu me enxergo.
Trilha melhor não há: estou surfando num foguete.

²Air - Surfing on a rocket.

KEMIS VIANA DA SILVA - 2:16 AM

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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007


Te-le-co-techno!

Ainda sobre música. Já disse aqui, em outra oportunidade, que não suporto ouvir alguém declarando-se eclético. Menos ainda nos dias de hoje.
Não sei porque, mas Isto me soa mais como desconhecimento do que qualquer coisa.
É entendível que o fácil acesso à música que o mundo da tecnologia nos permite hoje é uma realidade.
Com isso, cada cidadão tornou-se um pouco menos leigo sobre tudo que se produz ou se produziu em seu entorno (e isso não se aplica apenas à música).
Mas bem que a tecnologia podia não ser tão democrática assim. Me lembro de ter tido leves espasmos de calafrio no dia que vi a um moleque do meu bairro (periferia, mano!) carregando um MP4 player na mão, de onde se ouvia ao longe um abominável show do Calypso.
Ou seja, uma coisa é ir na esquina e comprar um CD qualquer por R$ 2,00. Agora daí a se auto-rotular eclético, lá se vão algumas léguas.

Algumas observações minhas sobre música:
1. O estilo de música não necessariamente influencia seu julgamento de qualidade;
2. Apesar do item 1, alguns tipos de música sequer permitem entrarmos no mérito de qualidade, pelo simples fato de não possuí-la;
3. Artistas drogados tocam/cantam muito melhor e mais inspirados do que em condições normais (também é verdade que morrem mais cedo e das formas mais esdrúxulas: que tal com a cabeça em migalhas numa banheira, como o Cobain?);
4. Não confere a crítica de que música eletrônica é música burra, feita só para pular na pista (quem duvida, pode experimentar um videoclipe dos Chemical Brothers, do Air ou do Orbital); e
5. Sim, é impossível fazer acreano gostar de techno. Nós preferimos o house (caseiro, melhor definição não poderia haver), tocado à base de letras bem bobinhas, cheias de "shake, shake" e "move your body",que nem nos anos 70. Pra que inventar?

Boas baladas!

KEMIS VIANA DA SILVA - 3:30 AM

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Domingo, Janeiro 14, 2007


Alternativo demais!

Num ano pouquíssimo inspirado no campo da música e do cinema, só restou uma opção: mergulhar ainda mais fundo nos ritmos alternativos que o mundo tem a oferecer.
Em 2006, posso dizer de cadeira que eu aprendi o que era bom. Entendo isso como um bom sinal, de que já estou bem homenzinho.
Admiti que White Stripes de fato é estranho, mas incorpora o mais legítimo espírito do rock'n'roll.
Entendi que aquela bateria de banda de garagem do Joy Division é tosco (pra não entrar no mérito dos seus clipes), mas é necessário.
E, acima de tudo, enxerguei a amplitude que tem a influência da década de 1980 na vida daqueles que estão na faixa etária acima dos 26 anos, e claro, que não passou esses anos todos só comendo saltenha.
Ainda sobre o fator anos 80, vi como uma grata surpresa na TV brasileira (ainda que a cabo) a insurreição da inteligentíssima grade de programação do VH1 Brasil, que há muito já superou a MTV a léguas.
Também assisti abismado (no melhor sentido possível) à fantástica eclosão do Acre para o Brasil, fenômeno que envolveu inclusive o rock autoral acreano. Bandas como Los Porongas e Camundogs definitivamente botaram pra fuder em 2006, e encheram o peito de cada acreano de nobreza, constância e valor.
Semana passada, conversava com um dos principais promotores do Festival Varadouro, o Max. Ele me falava do avanço da música aqui por essas bandas e das dificuldades ainda encontradas para promover o rock local. Mas todo passo para a frente é bem vindo, e digno de aplausos, numa terra onde o anonimato sempre foi nossa rotina.
De negativo, só uma coisa: torna-se cada dia mais difícil levar gente de carona no meu carro e permanecer com o som ligado. É que infelizmente o espírito provinciano do povo de Rio Branco ainda passa por um longo processo de maturação, que mal começou. Logo, os gostos musicais do povo daqui, se é que podem ser chamados de "gostos", ainda tendem bem mais paro Calypso do que qualquer coisa.
Por isso, tomei uma decisão. A partir de agora, quando um cabeça-de-vento entra no meu carro, imediatamente eu saco a frente do som e jogo dentro do porta-luvas. Afinal, nós não vamos perder a amizade por isso, né?

Trilha sonora pra começar bem a ano é
²DJ Martijin Ten Velden - I Wish U Would.

O som traz um vocal bem, mas bem Década de 80, só que com uma batida bem mais dance music.
Para quem curtia o Human League, dá matar saudades.

No mais, só desejo que seja um ano brilhante para a música e para o cinema!


KEMIS VIANA DA SILVA - 5:23 PM

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Domingo, Novembro 26, 2006



The wall

O que se fazer quando todos os recursos se esgotam e quando todas suas esperanças dão forte amostra de desgaste?
Gostaria de falar francamente sobre esse mal que parece escolher a dedo suas vítimas. A constatação é bem contundente: é extremamente difícil levar a vida tendo que se debater com esse problema da depressão.
Não posso dizer afirmativamente se há de fato algum tipo de correlação ou influência da depressão nas coisas que determinam o andamento da minha vida, mas posso afirmar com toda a certeza que cada passo que dou parece ser bem mais difícil por conta dos sentimentos que a depressão me causa.
Cada aspecto que faz da vida de um cidadão comum algo natural de se encarar, tornaram-se para mim um ponto crítico. É como se a vida fosse, como um todo, uma verdadeira tragédia grega.
Desde o trabalho até a maneira como encarar os assuntos amorosos, tudo torna-se extremamente doloroso. Quantos momentos bons deixei de viver? Quantos amores perdi nessa caminhada, por causa das crises de temperamento que tive assim repentinamente? O simples fato de lembrar destes episódios, por si só, já causam uma dor difícil de distinguir, se de remorso ou de melancolia.
Confesso que gostaria muito de saber se o fundo desse poço existe e se, pelo menos, eu já cheguei nele.
Gostaria muito de ter a certeza de que minha vida não será destruída pelas intempéries e que a depressão não me fará aumentar as estatísticas daqueles que sucumbiram ao desejo de dar fim à própria vida, e que desistiram de viver, enclausurados pelo pesadelo se ver envolto por uma profusão de angústias, que lhes tiraram o sono por várias noites ou lhes arrancaram várias lágrimas em suas noites escuras.
Eu quero respirar. Preciso urgentemente de uma luz no fim do túnel, por mais distante que esta seja. O que importa é que ela ilumine o caminho de saída deste inferno.

KEMIS VIANA DA SILVA - 1:44 AM

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Sábado, Novembro 11, 2006


Heaven knows I'm miserable now

Coração. Para que bater, se não vale o pulsar de cada batida?
E o respirar? De que vale, quando não conhece o valor de um suspiro de satisfação?
Especialmente nestas noites, costumeiramente preenchidas de um grande vazio, o remoer das dúvidas recaem fortemente sobre aquele coração que bate sem motivo.
Quando sobram apenas facas no caminho, a esperança, que antes morria por último, começa a desvanecer e deixa no vale das angústias o pobre coração.
Ao olhar para trás, vejo apenas uma longa e interminável seqüência que insiste em se repetir. Uma impiedosa cadeia de fatos, que obrigam a concluir o indesejável: nada mudou nesses anos.
A mesma letargia de antes permanece viva. Dói demais a constatação de não ter controle sobre seu futuro, e a impossibilidade de caminhar para a realização de seus desejos.
Continuo assistindo atônito à suscessão inevitável dos dias, sem que tenha ouvido ainda àquelas doces palavras de acalanto: você faz sentido pra mim.


KEMIS VIANA DA SILVA - 3:54 AM

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Quinta-feira, Novembro 02, 2006


Finados

Já faz algum tempo que eu penso na morte de um modo um pouco mais trivial do que o faz a tradicional crença ocidental, que convencionou tratá-la como algo necessariamente triste.
Entendo muito bem que a ausência de alguém querido é algo que, em vida ou em morte, dói bastante, e tende a tornar-se mais doloroso quando se dá mediante situações mais trágicas, como uma queda de avião ou acidente de trânsito.
Mas sinceramente, passada a latência típica do momento da perda, não vejo razões para se querer agravar ainda mais os sentimentos negativos inerentes à morte de alguém.
Estive lendo de passagem um trecho proferido por algum pensador conhecido, que não lembro bem quem era. Dizia ele que uma vez nascido o indivíduo, este jamais deixa de existir de fato. Afinal nós somos bem mais que nosso corpo e nossas roupas, ou nossos bens materiais. Nós somos aquilo que deixamos marcado dentro dos outros com quem interagimos.
As piadas que contamos, os primeiros passos que demos e que causaram alegria em nossos pais. Um coração que tenhamos partido ou mesmo um amor que nunca se concretizou. Enfim, todo tipo de expressão que emitimos nessa vida e que tenha sido compartilhado com alguma pessoa ou grupo de pessoas, são marcas que deixamos nessa vida, constatando nossa existência.
Por isso, num Dia de Finados como esse, andar pelos gramados de um cemitério e ver, ao olhar ao redor, que muitas pessoas, das mais diversas crenças e classes compartilham do mesmo sentimento, me soa como algo bom. Afinal, mais que acender velas e se lamuriar pelo luto que a morte naturalmente carrega junto de si, vejo que grande parte das pessoas preza pela oportunidade de poder revigorar a memória daqueles que um dia estiverem tão próximos de nós, seja num jogo de baralho, numa sala de aula, numa copa do mundo, sei lá.
Olho todo aquele povo e penso em quantos não estarão aqui nos Finados do ano que vem. Penso nos sonhos que foram interrompidos pelo acaso, e penso no quão incrível é esta inevitável condição humana: a de vir e ir, sem a certeza de quando e como.

KEMIS VIANA DA SILVA - 5:43 PM

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Sábado, Outubro 14, 2006


I saw an angel

kemis diz:
Bela, I saw an angel!
Bela - diz:
ow.. it's good
Bela - diz:
did a wish?
kemis diz:
hoje eu fui trocar o óleo (do carro mesmo)...
kemis diz:
daí vem aquela "coisa" mais estereotipada do mundo:
kemis diz:
morena, numa calça jeans...
Bela - diz:
ui
kemis diz:
com um bumbum que não sei nem descrever,...
kemis diz:
cabelo rabo de cavalo...
Bela - diz:
my god..
kemis diz:
usando um bonezinho preto...
kemis diz:
e mais...de mochila nas costas e um rostinho pidão, a coisa mais fofa...
kemis diz:
tava numa bicicleta e chegou toda assim, daí pediu pro cara da oficina pra encher o pneu...
kemis diz:
pode?
Bela - diz:
hahahahahah
kemis diz:
aí eu fico pensando: cara, pelas regras da boa etiqueta, o que se deveria fazer num caso desses?
kemis diz:
você fica bobo ali, olhando sem ação...
kemis diz:
não tem nem tem como puxar um assunto.
kemis diz:
Por isso eu entendo melhor do que ninguém o porquê de algumas pessoas escreverem letras de músicas como "You're beautiful"
Bela - diz:
e vc ficou babando mto tempo?
kemis diz:
Sim, cada interminável segundo daqueles 5 curtos minutos em que ela ficou na frente da oficina.
Bela - diz:
e n foi puxar assunto?
kemis diz:
como, pelo divino Deus?!
kemis diz:
eu vou postar esse nosso papo, ok?
Bela - diz:
ok ok.. sem problema.