Ela é magnética
Ela responde aos meus e-mails. Ela entende as minhas neuras. Ela também tem neuras.
Ela é dois em um. Ela é única. Ela surgiu quinze minutos antes do nada.
Ela, eu encontrei de passagem quando caminhava no vazio. Ela é inteligente. Ela é minha amiga, IDEAL.
KEMIS VIANA DA SILVA - 11:11 AM
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Dor
(ô) sf. 1. Méd. Sensação de sofrimento, decorrente de lesão. 2. Mágoa, pesar.
Abri a caixa de correios à procura de boas novas. Revirando cada canto do cubículo acabei indo de encontro ao nada. Me vieram conjecturas sobre questionamentos incaláveis. Pensava eu: por que a vida insiste em querer ser tão amarga comigo?
Há uma engrenagem no mundo lá fora. Isso me assusta. Somos rodas dentadas, conscientes de nosso dever de se encaixar perfeitamente ao contexto de toda estrutura e de contribuir para o bom funcionamento do conjunto. Aceitemos, essa é a nossa condição.
Mas anárquico que sou, sempre insisti em fugir à regra. Isso me custa. Até hoje não tive o prazer de desfrutar do que há de bom. E não há um dia sequer em que não sinta a já tão conhecida dor no fundo do coração, indicando que as coisas não vão bem.
Sinto um estranho sabor de desgosto na boca. Uma sensação inquietante de quem parte para casa com a certeza do dever não cumprido. A sensação de quem perdeu o jogo.
Revirando as páginas de um dicionário antigo, achei perdida, em meio a milhões de outros vocábulos, a palavra esperança. E fiz analogia com o que ela significa para mim. Minhas esperanças talvez ainda existam, mas encontram-se tão escondidas e esquecidas quanto o vocábulo no dicionário. Afinal, ninguém abre o dicionário para procurar a palavra esperança.
Olhando ao redor, me dou conta. Vivemos num mundo de celulares que entendem a dicção humana, onde há proximidade tecnológica suficiente para aproximar as pessoas digitalmente, mas não sentimentalmente. Somos rodeados de Inteligências Artificiais baseadas em suas Lógicas Fuzzi, mas a cada dia somos mais influenciáveis por personalidades burras e fúteis. Construímos páginas, mas não sabemos ler um romance. Sabemos programar um microondas, mas não sabemos cozinhar. Sabemos mandar e-mail, mas não sabemos amar.
Eu fui deixado sozinho no escuro do universo e explodi de estresse e solidão numa segunda-feira quente, na forma de um enorme Big Bang. Saí da poeira cósmica e evoluí dos girinos ao superman. E depois desse longo caminho andado, paro e olho para o céu, onde vejo suspensa uma linda lua cheia, que me enche de vontade de saber onde se escondem os prazeres dessa vida.
Ainda sinto o pulsar de um coração no lado esquerdo de meu peito. Mas temo que a mesma Química que converteu em rochas maciças simples pedaços pré-históricos de galhos, faça do resto que me sobra de alma uma rocha calcária.
Enquanto isso vou convivendo comigo mesmo e com a capacidade que o mundo tem de me tornar pequeno e descartável. E com o medo de parecer sempre um ridículo quando expresso meus sentimentos a alguém.
É difícil acreditar que alguém se interesse por sandices como as que vivo a digitar no teclado do meu Celeron 1.200. Mas o faço para me livrar do risco de definhar de vez. Continuo sentado aqui, degustando minha barra de chocolate amargo. Amargo como a vida que levo todos os dias.
Deus me livre dessa maldita mania de pensar na vida.
²underworld - born slippy.mp3
KEMIS VIANA DA SILVA - 3:48 AM
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Quinta-feira, Abril 22, 2004
Somente a verdade
Marcelo não conseguia mentir. Descobriu esse dom ou defeito em ocasião bastante incomum. Ocasião a mesma em que viu que não existiam limites para o improvável.
Estava de passagem pela sala da Mirna, uma colega de repartição, quando recebeu desta um chamado bem acanhado, com a pontinha do dedo, quase em tom de sussurro.
- Pode vir aqui?
Marcelo, sentou-se, pousou seu copinho de café sobre a mesa da amiga e pôs-se a ouvir atentamente.
- Vou tentar ser breve. Estou com um problema e preciso de sua ajuda.
Marcelo notou um tom de ansiosidade na amiga.
- Pois não, como eu poderia te ajudar?
- Marcelo, estou namorando um rapaz. O filha-da-mãe tem uma ex que não larga do pé dele. Já andou até ameaçando se suicidar se ele deixar dela. Sei que é estranho, mas vou ter de apelar. Eu preciso de alguém que faça uma ligação anônima para esta garota. Ela tem que ouvir de alguém que nós estamos juntos, saímos juntos, sei lá. Ela tem que se tocar. E é aí que você entra, Marcelo.
- Eu? - surpreendeu-se.
- Sim. Você é alguém em quem eu confio muito e preciso que você faça essa ligação para ela.
- Ih! Olha, você me conhece, eu não gosto de me envolver em problemas.
- Mas não vai haver problema, meu celular não pode ser identificado e você pode ligar dele.
Marcelo se viu em situação difícil. Sua colega sempre havia sido prestativa e companheira com ele, e nunca havia faltado quando de suas necessidades. Era a hora de retribuir os favores. Depois de pensar um pouco, questionou.
- Tem certeza que seu telefone não é identificável?
- Absoluta. Você vai ligar, vai?
- Tá bom, eu ligo. Mas me diz só uma coisa: qual seria o pretexto para um estranho como eu ligar para essa garota acusando o namorado dela?
- Eu também pensei nisso. Você diz que gosta dela, que é apaixonado por ela e que não aceitaria vê-la sendo enganada. É uma ótima desculpa, não acha?
- Eu não acho isso muito ético, não. Mas vou fazer por você.
- Obrigado, Marcelo!
- A propósito, qual o perfil da minha vítima?
- Letícia, 23 anos. Loirinha, estuda direito e usa aparelho nos dentes.
- Não pode ser - Marcelo corou.
- Que foi?
- Você não lembra da garota de quem te falava sempre. A loira, que cursa direito etc., etc? Esqueceu o nome dela, Mirna?
- Letícia! Ai, não!
A história era simples. Marcelo passara meses decepcionado, por razão de um amor platônico que alimentara durante meses. A garota era Letícia, a mesma para quem teria de ligar agora, justo quando já havia a esquecido de vez.
Depois de um tempo de meditação, cada um em sua sala, Marcelo liga para Mirna.
- Eu ligo assim mesmo.
- Sabia que você não ia me abandonar, Marcelo. Sei o quanto a tua história com essa garota te magoa, mas eu preciso desse favor.
- Eu vou ligar. Prometi te ajudar e vou cumprir o que disse.
Idas e vindas, chegou o dia. Mirna já havia teclado o número no celular e entregue na mão de Marcelo.
- Está pronto?
- Sim. Mas, Mirna... eu poderia ficar sozinho agora?
- Como quiser. Boa sorte. - E Mirna saiu da sala, fechando a porta.
Um ano depois e Marcelo até hoje pensa no que fez naquele dia.
Ligou para a Letícia e quando ela atendeu, calou-se por um instante. Pensou em cumprir de vez o seu dever e dizer aquilo que tinha combinado com Mirna. Mas hesitou um pouco e quando quebrou o silêncio, acabou dizendo o que parecia mais improvável.
- Alô, é Letícia quem fala?
- Sim, pois não?
- Vou ser rápido, Letícia. Há pessoas tentando pôr fim ao seu namoro. Por isso, estou ligando para te dizer que se alguém tentar atrapalhar sua felicidade com boatos ou comentários bobos, por favor, não lhes dê atenção. Nunca abra mão do seu amor, entendido? Tchau.
Hoje, Marcelo senta-se à varanda enquanto pensa no episódio. E sem fazer relação de causa com conseqüência, analisa tão somente os fatos. Hoje, Letícia está casada com o dito rapaz, e até o que se sabe, vivem muito bem. Mirna parou de falar com Marcelo quando soube de sua atitude, e já há um bom tempo que não têm notícias um do outro. Marcelo mudou de emprego e de vez em quando senta-se à varanda para pensar na vida.
KEMIS VIANA DA SILVA - 6:26 PM
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Domingo, Abril 18, 2004
Non sense
Hoje eu aprendi que dirigir bêbado é ótimo, aprendi que o sol não brilha e nunca brilhará para os idiotas. Hoje eu aprendi que a punhalada pelas costas é sempre a mais doída e que o medo de ficar sozinho é o mais aterrador de todos. Hoje eu aprendi que não importa o que eu faça, as coisas sempre irão dar erradas e que o maior erro na vida é existir. Descobri que escrever insanidades às 04:35h da manhã, com a cara cheia de álcool não é coisa de gente normal.
Aprendi que a beleza das coisas está nas páginas dos livros de auto-ajuda e que as patologias raras não têm cura. Hoje eu senti a mais perfeita sensação de voar, de guiar a vida com a ponta dos dedos e de poder acabar com tudo assim que eu quisesse. Entendi que, por mais caóticas que estejam as coisas, o comando ainda é meu.
Hoje eu entendi que a pseudo-alegria está contida nos flashes dos jogos de luzes e nas elegantes figuras que por eles são banhados. Está nos goles sorvidos de whisky on the rocks. Compreendi que a pior sensação do mundo é a de se sentir no meio de um turbilhão de babacas e fúteis e que o maior castigo de todos é saber que jamais serás um deles. Esta é a minha realidade, a minha verdade. Me sinto no labrinto da Ilha de Creta, mas sem um novelo de lã para me apontar a saída.
Está decretado e assinado: a partir desse momento eu não mais existo.
KEMIS VIANA DA SILVA - 6:37 AM
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Sábado, Abril 17, 2004
De onde vem a Calma
Los Hermanos
De onde vem a calma daquele cara
ele nao sabe se é melhor viu
como nao entende de ser valente
ele nao sabe ser mais viril
ele nao sabe nao viu
e as vezes da como um fim
e o mundo que anda hostil
o mundo todo é hostil
de onde vem o jeito
tao sem defeito
que esse rapaz consegue fingir
olha esse sorriso tao indeciso
ta se exibindo pra solidão
nao vao embora daqui
eu sou o que voces são
nao solta da minha mao
nao solta da minha mão
eu nao vou voltar
eu vou ficar sim
mesmo se for só
nao vou ceder
deus vai dar a mao sim
o mal vai ter fim
e no final assim calado eu sei
que vou ser coroado rei de mim
KEMIS VIANA DA SILVA - 8:48 PM
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Quinta-feira, Abril 15, 2004
O tiro que matou o pombo
Por todo um dia, senti-me um Gregório Samsa, o personagem de Metamorfose de Kafka, que certo dia acordou sob a forma de uma horrenda barata.
Foi certamente um dos piores de meus dias. Acordei-me sob o peso do corpo e da consciência. Estava muito mal, sentindo-me a pior figura de todo o planeta.
Trabalhei à força e, por várias vezes no dia, parei em frente aos papéis acumulados às pilhas sobre minha mesa, olhando para eles sem ânimo e com profunda depressão. Notei ao meio-dia que estava febril. E logo estranhei, pois nada em meu corpo estava inflamado. O que muito sentia era uma insignificante irritação na garganta, que dificilmente poderia ser a razão da febre.
Suspeito com convicção que hoje me ocorreu algo incrível. Consegui o feito de adquirir febre de tanta tristeza. O dia foi quente e claustrofóbico. E como de costume, a razão de tal surto não foi detectada. Mas posso arriscar-me a dizer que estou doente do mundo.
Definitivamente sinto que as pessoas sentem repulsa a mim. Não querem minha presença, não me querem por perto por muito tempo. Eu não me encaixo ao mundo e nem sou aceito do modo que sou. Estou só e nunca me senti tão sozinho nesta vida.
Os dias têm passado numa sucessão infindável de raiares e pores de sol. E cada vez mais percebo a frieza do meio que me circunda. Eu não tenho amor, eu não sei o que é amor. Não fomos apresentados até então e acredito ser vítima de carência afetiva. É possível até que tenha sido esta a causa do mal-estar de hoje.
Em ocasiões anteriores, sentia medo quando ficava assim. Mas as coisas têm caminhado de forma tão estranha que já não tenho mais medo. De emoção por sinal, me resta muito pouco. Meu coração está seco, está vazio.
Eu estou no escuro, estou à beira do precipício e ainda com alguns graus de febre. Definitivamente foi um dia a menos em minha vida.
KEMIS VIANA DA SILVA - 2:27 AM
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Sábado, Abril 10, 2004
Mulheres de Atenas
Qual o segredo para conquistá-las? Eis aí um dos maiores questionamentos dos tempos atuais, pelo menos para aqueles, que como eu, sofro, vítima de seus negligentes comportamentos de quem assiste a um assalto a mão armada e nada faz.
Comecemos pelo principio. É histórica e psiquiatricamente provado que no coração não há quem mande. Ele tem vontade própria e, por conseguinte, independe de qualquer vontade, por mais conveniente que esta venha a ser. Posto o axioma, pobre daquele que não tem a felicidade de ser o agraciado com o direito de ser o detentor do tão sonhado carinho-oferecido-sem-nada-em-troca. E não será coincidência se aquele que sofre pelos cantos for justamente o mais dotado de um espírito romântico, algo mais que batido nestes tempos de amor livre e liberal.
Tenho dito por vivência própria que os tempos atuais tornaram extremamente demodê todo aquele que insiste em assumir uma postura romântica, politizada e sincera. Em outros termos, esse negócio de usar o cérebro e o coração é coisa para besta. Tipo iniciado intelectual, usando óculos e com um livro de Goethe a tiracolo então? Tadinho deste.
É comum uma avalanche de reações femininas contrárias sempre que se arrisca afirmar em uma roda de conversa que mulher hoje em dia gosta mesmo é de homem safado com status, dinheiro e boa aparência. Mas se acaso o fato tem algum tipo relação direta com a realidade, pode-se acreditar sem grande dificuldade que o mal venceu bem e que realmente essa afirmação está bem próxima do real.
O que será que elas querem mesmo? Vejamos minha situação: estou num estado emocional tal que me permitiria a entoar, sem grandes dificuldades, os versos mais profundos de um poema de Camões para uma indivídua. Valeria a pena? Na minha ultima seção na psicóloga cheguei a comentar que o homem que age assim corre o risco de não ser compreendido e ouvir de sua amada um: 'que língua você está falando?'.
Se os homens são de Júpiter e as mulheres são de Vênus, não sei bem ao certo. Mas posso afirmar sem medo de erro que nesta cruzada intergalática eu me sinto um marciano de anteninha verde e tudo, navegando há anos-luz no interior de uma nave um tanto sem rumo e em vias de sofrer uma pane seca.
Como diria Saint-Exupéry, você é responsável por aquilo que cativa. Por isso, se ainda existe algum tipo de lógica neste mundo, espero que o melhor me aconteça e que alguém considere com respeito tudo aquilo que sinto.
KEMIS VIANA DA SILVA - 5:08 PM
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Sexta-feira, Abril 09, 2004
Tuelhinho da Páscoa!
Saímos ontem de noite para uma incidental tábua de frios e para passar um pouco desse calor tipo estufa. Alguns chopps depois, seguimos para um programa mais convencional: fomos ao supermercado, quase fechando, para comprarmos nosso ovo de páscoa. Um Chokito, 400 gramas, número 20. Adicionamos como complemento uma barra de meio amargo e uma com castanha. Ou seja, seguimos o que manda a tradição, mas bem ao nosso modo.
É uma forma meio cínica que arranjamos de levar a vida em Rio Branco. Modéstia à parte, temos um nível intelectual um degrau acima dos celenterados que frequentam os ambientes daqui. Por isso, ficamos fazendo pouco nos nossos papos de mesa. Sei que é muito esnobe e feio dizer isso, mas acho justo.
Quanto à Páscoa, tirando a sazonalidade característica da época, acredito ser uma época boa para refletir. Em tempos em que o cinema ajuda muito, exibindo com verossimilhança a via-crucis de Cristo, fica um pouco mais fácil de deixarmos os ovos de chocolate de lado para notarmos o que de fato a Páscoa tem de importante. Por favor, cuidado com os desarranjos de ordem intestinal e boa Sexta-feira Santa e Sábado de Aleluia para todos.
KEMIS VIANA DA SILVA - 1:15 PM
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Quarta-feira, Abril 07, 2004
A vida em preto e branco
Não se trata de algo recente. Já venho passando por isso há algum tempo. Porém, sinto que nos últimos dias a coisa se agravou. Estou sofrendo agora de uma síndrome de desânimo. Não sei como explicar, mas sabe quando todos os dias são iguais e não te satisfazem nem um pouco? Pior que isso, quando tudo parece ter perdido seu sentido, seu valor, sua graça? Eu estou definitivamente em stand by. Diariamente, acordo despertado pelo relógio do celular. Levanto, tomo banho e saio do banheiro, algo em torno de uns 15 minutos antes de meu pai levantar. Quando ele levanta, num ato quase instintivo, já se dirige para o controle da TV e a liga para ver as notícias matinais. Neste instante, ainda estou no quarto sofrendo para escolher qual a maldita roupa que vou vestir. Quando enfim escolho, não tenho mais tempo de tomar café, pois o carro da condução já está na porta de casa, buzinando. 11 horas e 30 minutos por dia a disposição do emprego. É demais para mim. E pior não é isso. Quando páro para pensar para onde isto está me levando, não consigo visualizar nada. O caminho à minha frente é nebuloso. É como se definitivamente me faltasse um estímulo, uma razão boa para passar o dia. Não creio se tratar de falta de objetivo, isso eu tenho. Mas é quem sem combustível, nenhum avião consegue chegar a seu destino, por mais que tenha um plano de vôo. Eu preciso de um empurrão.
KEMIS VIANA DA SILVA - 10:21 AM
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Não risco livros
Pretendia escrever algo mais elaborado sobre isso, mas dado o horário avançado e o meu cansaço, deixo para outra ocasião. Só ressalto o seguinte: não interessa se digam contrário, eu não faço nem admito que se risquem livros. É um absurdo. Será que não se pode ler sem rasurar a obra? Não sei de onde saem essas idéias malucas da minha cabeça de falar sobre coisas inúteis assim do nada. Vai entender?
KEMIS VIANA DA SILVA - 2:03 AM
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Sábado, Abril 03, 2004
Feitiço do tempo
Há coisas perfeitas nesse mundo. Quem fez o sábado, por exemplo, foi um gênio. É simplesmente o dia mais fulero que podia existir. Eu me sinto a maior porcaria dessa humanidade; me sinto só, tenho vontade de chorar. Fico lembrando de cada detalhe ruim da minha vida desde que nasci. Até quando saio um pouco para respirar um ar, como fiz agora a pouco, acabo me sentindo todo estranho. É como se eu não fosse bem vindo aos lugares onde ando. Não sei de onde veio esse meu estigma com sábados. Não sei se é porque tudo que eu programei de bom para fazer e deu errado sempre aconteceu nos sábados. Ou deve ser o sentimento de se achar o cara mais solitário dessa Terra, o que estranhamente sempre se atenua nas tardes de sábado, quando eu bem poderia estar acompanhado de uma pessoa interessante. É bem possível que este calor infernal e enfadonho de Rio Branco já esteja adiantando o processo de derretimento dos meus neurônios. Ou é possível que definitivamente eu já esteja começando a ficar louco de vez. Acho que meu caso não tem solução.
²los hermanos - cara estranho.mp3
KEMIS VIANA DA SILVA - 7:55 PM
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Quinta-feira, Abril 01, 2004
O Bloco do Eu Sozinho
Sentimento angustiante o que senti ontem. Cheguei do trabalho com uma tristeza saída não sei de onde. Durante a uma hora e meia que passo na condução até chegar em casa, observo atentamente o movimento do fim de tarde. Não sei se é coisa local, mas Rio Branco tem fins de tarde muito melancólicos. Os alunos saindo da aula aos bandos, as padarias cheias de pessoas que compram pão e saciam a fome depois de mais um dia duro de trabalho, o reflexo das luminárias da Gameleira nas águas turvas do rio, que estes dias anda cheio até a tampa. Diante de tal cenário, vou pensando um monte abóboras e vou refletindo sobre a vida, a minha vida. Quando o carro me deixou na porta de casa, só queria um banho. Tava me sentindo só prá caramba. Um vazio enorme. Resolvi então subir na moto e ir pegar um livro na biblioteca da Universidade, que fica a não menos que uns 10 quilômetros da minha casa. Lembro que a lua estava espetacular e esses dias há três planetas alinhados a olhos nús. O visual da UFAC à noite é misterioso, mas bem legal para quem quer ficar só. Muita floresta, ar puro e, em época de férias como agora, bem abandonado e solitário. Recebo então duas ligações no celular. Uma da psicóloga perguntando se estou bem. Veja só que hora boa ela escolheu para me ligar. A outra da minha amiga Mheig Taylor, que acabou caindo na caixa de voz. De repente senti um pequeno alívio. O que uma simples ligação não pode fazer por você nessas horas? Resumo: acabei marcando uma consulta e certamente esse fato corriqueiro será contado na sessão de hoje.
KEMIS VIANA DA SILVA - 5:01 PM
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Tudo novo
O virus que parece ter me pegado e me causado a gripe arrebatadora desta semana tambem foi a mesma que contaminou meu computador e me obrigou a, pela terceira vez, formata-lo. Por esta razao, eu que tanto prezo e respeito a Lingua Portuguesa estou escrevendo assim, sem acentos e pontuacao correta. Porque, para os menos afeicoados com essa lindissima ciencia que eh a computacao, o filha da puta do teclado sempre insiste em frescar e nao querer reconhecer o maldito Portugues brasileiro do padrao ABNT2 que permite colocar os caralhos das cedilhas, crases, acentos agudos e cincunflexos como manda a regra. Mas logo logo eu ajeito essa porra. Perdoem-me, por favor, as eventuais palavras de baixo calao, caso eu tenha falado alguma.