ARCHIVES


Quinta-feira, Julho 29, 2004




Quando Marx escreveu seu clássico ¿O Capital¿, em 1867, pretendia retratar a seu modo as condições lamentáveis da exploração capitalista sobre as vidas humanas de seu tempo.
A situação alarmante de miséria na Europa do Século XIX e o desrespeito para com os direitos humanos mínimos de que devia usufruir a massa operariada, somados a episódios comuns da época, como a escandalosa arregimentação de mulheres e crianças miseráveis e subnutridas em jornadas de trabalho desumanas, constituíram a substância principal para a composição desta obra, que de um modo firmemente calçado em bases científicas, tornou-se num dos mais fortes e sólidos instrumentos de denúncia da exploração do homem pelo homem da era contemporânea.
Marx fez dos números seus grandes aliados na tentativa de provar que aquilo que a classe proprietária dos meios de produção exigia de seus trabalhadores era algo injusto e imoral. Jornadas que chegavam a atingir 14 horas diárias de trabalho, pagas com quantias absurdas de 1,60 francos era apenas um exemplo simbólico da matemática exploratória da burguesia industrial.
O filme ¿Daens ¿ Um grito de liberdade¿, de 1992, apresenta o caso emblemático da cidade de Aalst, na Bélgica, que como tantas outras cidades européias de sua época, vivia a grande crise da superpopulação urbana, com seus problemas de infra-estrutura, miséria, fome, criminalidade e prostituição. Todas estas mazelas nada mais eram do que o cenário formado em torno do modo de produção instituído nas grandes cidades pelo capitalismo industrial, representado então, sobretudo pelas insalubres fábricas de produção têxtil.
Importa salientar que o cenário político da época era fator de extrema relevância para composição da realidade que se apresentava. Ao passo que a classe operária não possuía voz nas instituições que a representava, pode-se afirmar que o grande capital era claramente mantido e beneficiado pelo favorecimento das entidades governamentais e mesmo pela influência de que gozava o tradicionalismo da Igreja Católica, elementos estes claramente associados à ideologia capitalista, que reprimia todo e qualquer pensamento que destoasse da máxima do lucro produzido às custas da exploração da massa trabalhadora.
As primeiras expressões dos ideais socialistas começavam a vir à tona já naquela época, encontrando nas publicações clandestinas de folhetins e nos pequenos discursos de rua seus meios de vazão para os pensamentos que pregavam a libertação do povo da opressão das máquinas. Era comum a mobilização do Estado no sentindo de frear todas as manifestações de caráter socialista, ideal aquele que começava a inflamar as cabeças do mundo em suas mais diversas localidades, impulsionadas pela insustentável condição das pessoas que dependiam dos salários das fábricas para sobreviver.
A sede capitalista pelo lucro fazia da mais-valia de Marx a mola mestra para a manutenção de seu processo sistemático de exploração do trabalhador, se apoderando de sua mão-de-obra e do produto por ele produzido, em troca de remunerações muito abaixo da realmente necessária para o sustento. As péssimas condições de trabalho e a exploração de crianças no interior das fábricas constituíram os aspectos mais lamentáveis da atividade capitalista do Século XIX. Muitas foram as crianças e mulheres que morreram enquanto executavam suas funções em meio à máquinas perigosas e ambientes envoltos em um ar irrespirável.
A discussão sobre o modo ¿selvagem¿ de exploração do capitalismo até os dias de hoje desperta o interesse do mundo. A História foi responsável por nos apresentar o testemunho de uma época cheia de erros e injustiças que ainda hoje, a despeito de muitos progressos positivos no modo de produção, parecem ainda querer prevalecer.

KEMIS VIANA DA SILVA - 10:03 AM

Critiquem-me:

Quarta-feira, Julho 28, 2004


Alguma coisa está fora ordem...

Comentário de fim de noite:
- Cá entre nós, nos últimos dias você não está sentindo como se uma nuvem negra estivesse rondando nossas cabeças?
Cético que sou, respondi categórico:
- Só agora que você veio perceber?

No entanto, admito que depois de um dia hardcore como este malogrado 27 de julho de 2004, sou obrigado a afirmar que a tal nuvem negra parou de apenas orbitar por sobre nossas cabeças, e começou a praguejar um forte temporal.
Foi um dos dias mais estranhos e psicóticos da minha vida. Me senti durante 24 horas como que se estivesse atuando em um filme do Hithcock.
Hoje vi o peso que as palavras podem ter. Senti a pressão de ser empurrado contra a parede. Mas provei que apesar de depressivo e sem auto-estima, eu possuo armas que me defendem e me instigam a enfrentar o dragão, como se eu fosse um São Jorge. Eu empunho em minha mão a espada da verdade.
E eu tenho peito o suficiente para encarar um mundo tão caótico quanto este que aí se apresenta.
Como se usa nas touradas de Madrid, "que venga el toro!"
Se cara feia me assustasse, eu não usava espelho.


KEMIS VIANA DA SILVA - 2:21 AM

Critiquem-me:

Domingo, Julho 25, 2004


Devaneio

Da mais obscura profundidade de meus sonhos, parece-me ter surgido tua figura.
Não pareces humana. Pelo contrário, preferes guardar um quê de onírico em tua simples existência.
Tiraste por vezes de meus olhos, lágrimas que sequer pensei existirem em meio a tal deserto em que se converteu minha alma.
Pareces vinda de uma galáxia onde a imaginação é real, onde a virtude é regra.
Mais linda e terna que qualquer entidade religiosa que exista, tu és minha idealização.
Das foscas imagens que me vêm à mente, guardo te ti o sorriso, sempre carregado de bons ares, e que por vezes preencheu com contradições os meus mortais sentimentos. Afinal, mal sabia se aquilo que de mim se apoderava, sempre que a via,
era uma gota de felicidade ou tão somente a dor da certeza de não tê-la em meus braços.
Minha lindinha, minha boneca de porcelana. Dona de todos os meus carinhos, de todos meus sonhos.
Não sabia o que era o amor quando te achei e depois de ti passei a conhecê-lo menos ainda. Estranha entidade esta que me faz, sem esperança alguma, arranjar forças para dizer em alto e bom tom. Eu te amo.

KEMIS VIANA DA SILVA - 5:15 AM

Critiquem-me:

Quinta-feira, Julho 22, 2004


Let's play, DJ!

Balada em meio de semana é o tipo de extravagância que eu tenho por princípio não acatar.
Não o faço, até por uma questão de sobrevivência, já que acordar às seis da matina para cumprir
minha missão como assalariado é meu carma, e fazê-lo com alguns miligramas/álcool acima
da taxa na cabeça é algo que, como diria uma amiga minha, ninguém merece.
Mas ontem foi diferente, recebi um convite de última hora, vieram me buscar e feito.
Eu saí numa terça-feira à noite e, o que é mais interessante, eu me diverti um monte.
Festa no Imperador Galvez, estilo rave, ou melhor, pseudo-rave, pois o conceito de rave para Rio Branco
ainda é um pouco demais para a cuca do povo.
Tomei, todas. Aliás, tomamos. A pista bombou, como se usa atualmente.
E cheguei um tanto alto em casa, mas bem consciente.
Como dito no começo, tem a vida real.
Seis e meia AM e o carro da condução buzina na frente de casa.
- Diz prá ele que eu não vou, pai.
Lá pelas oito eu levanto me sentindo o centro do mundo. Juro, ele rodava em torno de mim.
A Terra pelo menos por alguns minutos foi kemiscêntrica.
Tomei café em meio a um turbilhão que se apoderou de meu sistema digestivo. Ele se retraiu todo,
tadinho, quando comecei a comer.
Subi na motinha e fui ao trabalho, aonde cheguei atrasado em precisamente uma hora.
Trabalhei o dia todo como um cidadão comum e voltei para casa normalmente.
Enfim, um dia dentro dos padrões.
A balada não me prejudicou em nada muito sério e ainda me serviu para retificar uma coisa
que já tenho notado há algum tempo.
As melhores noites que tive sempre foram fruto de programas nada programados.
É por isso que eu não uso sapatos. Sejamos inconseqüentes de vez em quando, mas de forma acomedida.
Ainda a pouco começava um cochilo quando o celular tocou.
- E aí, qual é o nosso programa para hoje?
E eu, bem cético e direto respondi:
- Dormir!
E desliguei.

KEMIS VIANA DA SILVA - 3:50 AM

Critiquem-me:

Sábado, Julho 17, 2004


I got the blues

Acabei de acordar de um sono profundo. Estava exausto e nem costumo dormir tanto assim.
Olhei ao redor e não encontrei ninguém em casa. Está fazendo um friozinho gostoso e agora estou sozinho no meu quarto. Estranho, aqui em casa nunca falta gente.
Desde de criança lembro-me destes instantes de solidão. Eles sempre me acompanharam como aquele amigo imaginário que toda criança costuma ter. De repente, zap! Todo mundo desaparece e até a vizinha, sempre tão faladeira, resolve dar vez a um silêncio ensurdecedor. Fico alguns minutos tentando tornar do sono e entender por que sempre me sinto mais que solitário, sozinho.
Os dias têm passado e os prazos que todos me deram nas famosas frases "Um dia..." já venceram. A parte boa está no fato de que estou me acostumando com a minha condição. E concluo em grande estilo: eu não estou só, eu sou só. Por isso, para essa tarde fria de sábado só tenho meu blues do eu sozinho para cantar.

KEMIS VIANA DA SILVA - 5:55 PM

Critiquem-me:

Quarta-feira, Julho 14, 2004


Creep
Radiohead

When you were here before
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
And I wish I was special
You're so fuckin' special

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts
I want to have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
When I'm not around
You're so fuckin' special
I wish I was special

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

She's running out again,
She's running out
She's run run run running out...

Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fuckin' special
I wish I was special...

But I'm a creep, I'm a weirdo,
What the hell am I doing here?
I don't belong here.
I don't belong here.

KEMIS VIANA DA SILVA - 1:07 PM

Critiquem-me:

Sábado, Julho 10, 2004


Téte-a-téte

Com a quota de paciência estourada, o jovem rapaz ascende aos céus e marca uma audiência com o Todo-Poderoso.
Estava cheio de críticas e reclamações à sua gestão e levava consigo uma carta aberta.
Quando adentra ao gabinete celestial, não se constrange à toda a pomba do ambiente e honradamente senta-se na poltrona em frente à Sua mesa.
Espera algo em torno de uns cinco minutos até ser atendido, quando enfim eles ficam a sós.
- E então, meu filho? O que tens a palestrar comigo?
Sem ensaiar qualquer palavra, levanta-se e pousa a carta que trazia em mãos sobre a mesa palaciana.
Surpreso com o ar de firmeza do rapaz, o Todo-Poderoso toma a carta, abre o envelope e começa a ler o texto que dizia:

"Com todo o respeito, quem o senhor pensa ser para me causar tantas intempéries?
Com que autoridade se atreve a brincar de me fazer de boneco polichinelo, vítima de seus sadismos?
Pensas a caso que o fato de ter construído uma obra de tal magnitude o habilita a maltratar àqueles que todos intitulam como filhos teus?
Eu tive honra o suficiente para subir até aqui e o encarar de frente, sem escudo algum sobre o corpo. Pois bem sei que nada de muito pior pode me acontecer, após tantos castigos sofridos de maneira injustificável.
Interrogo-me, pois, o porquê de vossa grandiosidade não fazer jus ao que é tão propalado. O poder da onipresença de que desfrutas parece não estar sendo muito usado nos últimos milênios. Tanto que foi necessário que eu subisse até aqui para contigo palestrar.
Entretanto, reconheço meu egoísmo ao admitir que a razão de minha subida foi tão somente a de discutir apenas a minha situação e a de mais ninguém.
Por isso continuo a questionar.
Qual a grande felicidade que pareces encontrar todas as vezes que me deixa no escuro a sofrer com minhas derrotas?
A propósito, por que até hoje minha vida se converteu apenas em derrotas?
Perdoe-me a ousadia, mas não posso me intitular temente à vossa figura. Pois assim como uma relação de pai para filho prescinde de respeito mútuo, não creio ser coerente basear no temor e no medo a relação que exista entre mim e ti. Afinal, se sou tua obra, o que ganhas em querer-me tão mal?
Devo expressar que não é das mais agradáveis a sensação de ser abandonado e ter o mundo virado de costas para si.
E menos agradável ainda é ter a impressão de ser a pessoa mais invejosa do mundo ao notar que todos têm um lugar ao sol, enquanto esperas o teu dia, que parece nunca chegar.
Para vossa informação, gostaria de reportar que o mundo hoje tem girado ao contrário de sua rota normal. E que o mal passou a existir explicitamente, comandando a trajetória dos fatos e rumo dos acontecimentos contemporâneos.
Eu perdi aquilo que chamam de fé, mas não nego que um dia ela possa renascer, desde que seja corretamente realimentada. É por isso que venho aqui explicar que neste instante apenas me ponho a expressar minha revolta, não querendo com isso me por contra ou rejeitar à sua figura. Se cometo algum crime neste instante, é apenas o de me dar ao direito de contestar.
Para finalizar, quero expor a pergunta que muitos de onde eu vim vivem a fazer:
Por que fazes isto?"
Ao terminar a leitura, o Todo-Poderoso levanta as vistas, e por sobre as lentes dos óculos apenas entoa:
- Porque eu quero.
Deu-se então por encerrada a audiência e o rapaz saiu em silêncio pela mesma porta por onde entrou, tomando no fim da tarde uma conexão para sua terra natal.

KEMIS VIANA DA SILVA - 11:20 PM
Critiquem-me:


Depressão
Que raios de pessoa sou eu, que quando dá um sábado tem uma sensação de tristeza infinita?
Parece que esse maldito dia possui um poder de acabar comigo.
Eu tô me sentindo triste demais hoje. Me sinto o ser mais descartável e mal querido da Terra.
Parece que nada faz mais sentido. Eu tento erguer a cabeça, mas logo desanimo.
A semana não terminou bem e o fim de semana não promete nada.
Assim não dá para ser feliz.

KEMIS VIANA DA SILVA - 7:19 PM

Critiquem-me:

Quarta-feira, Julho 07, 2004


O problema do mal

De repente pula um link no meu Messenger.
- Baixa isso aí - pedia o contato.
Baixei e apesar de admitir ser um tanto frio, não gostei muito do que vi.
A decapitação de um americano, refém de terroristas iraquianos.
Era lastimável o estado de desespero do indivíduo.
Imediatamente comecei a pensar na situação emocional dos familiares daquele rapaz, que só estava naquele país a trabalho, e que nada tinha a ver com guerra.
Pensei também em até que ponto pode ir o fanatismo quando a mente humana é exposta a influências fundamentalistas, que nada têm a ver com religião ou fé.
Não se pode, porém, ser inocente ao analisar fatos com estes. Sei bem que os cinco ou seis encapuzados que liam o pronunciamento em árabe, minutos antes de cometer tal barbaridade com sua vítima, são pessoas sofridas, que já perderam mulheres e filhos em conflitos étnico-religiosos e que vêem no terror a melhor maneira de hastear suas bandeiras de liberdade. O que não justificaria nunca tal selvageria, óbvio.
Em todo caso, resta ao senhor W. Bush e sua corja de salafrários uma boa parte da culpa por tal situação. É preocupante imaginar que uma nação do tamanho dos Estados Unidos canalize tantas forças em nome da usura, da ganância e do desejo pelo poder, jogando ao largo da insignificância todas as demais culturas do planeta.
Perguntem o que é o mundo a um americano e o verão voltando seu olhar para o próprio umbigo. Não sou xenófobo, apenas não aceito ver tanta brutalidade em tempos onde o bom senso deviaria reger nossas relações.
Há em Filosofia um assunto usualmente conhecido pelo termo de - o problema do mal. É a velha pergunta de que, se Deus é tão bondoso, por que admite tantas atrocidades.
Me reportando à figura de sua maior obra, o homem, penso que imagens como aquela fazem pairar sobre nossas cabeças outra pergunta mais apropriada. Se, em sua natureza, o homem é bom ou ruim.

KEMIS VIANA DA SILVA - 1:45 PM

Critiquem-me:

Domingo, Julho 04, 2004


Os impossíveis

O Santo André ganhou do Flamengo, em pleno Maracanã.
A Grécia desbancou Portugal, em pleno Estádio da Luz.
Os pequenos Davis estão ganhando a luta contra os Golias.
Os fatos mais improváveis estão acontecendo.
Será que há chance de as coisas melhorarem para mim também, que sou tão fraco?
Será que o impossível pode me acontecer?


KEMIS VIANA DA SILVA - 8:52 PM

Critiquem-me:

Quinta-feira, Julho 01, 2004


Quando eu cheguei, tudo tudo, tudo estava virado

Primeiro dia no trabalho, após um mês sem dar as caras. Em uma palavra: o CAOS.
Papéis de toda espécie espalhados pelo tablado da mesa. Alguns (a maioria), eu não sei nem de onde vieram e nem o que fazer com eles.
Mas tudo isso é detalhe para quem tem passado os últimos dias sem ter noção de que rumo tomar.
Não sei se faço um curso de inglês, se largo Economia e faço pré-vest para tentar Direito.
Não sei se tento outro emprego para voltar à Faculdade de Sistemas de Informação.
AHHHHHHHHHHH.
Alguém tem uma moeda aí, para jogar no cara ou coroa?