






KEMIS VIANA DA SILVA - 2:41 PM
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004
Joker Box?
Eu sou do tempo em que lixo se jogava no lixo. Não que antigamente, há uns dez ou quinze anos atrás não existissem coisas ruins. Mas, ou bem me engano, lembro-me que se sabia selecionar melhor as coisas.
Me refiro mais especificamente à música, esta estranha entidade que ao longo dos séculos parece invadir nossos ouvidos causando, de acordo com o batuque, a sensação ou de good ou de bad vibration. Parece papo de DJ, mas pick-up's e samplers à parte, música para mim funciona desse jeito, como o sistema digestivo. Quando desce bem, desce. Quando desce mal, quem sofre é o pobre do estômago (neste caso, os ouvidos).
Ontem à noite, enquanto assistia a "Quase famosos" pela segunda vez, na Globo, comecei a pensar no assunto. Francamente, me senti um pouco mal ao constatar que vivemos hoje um momento bastante perturbador, mesmo quando comparado a uma época em que se ouvia Led Zeppelin puxando um baseado após uma trepada em uma poça de lama qualquer no festival de Woodstock. Em outras palavras, céus, o que estamos ouvindo hoje?
Horas antes do filme, havia vivido a desprazerosa experiência de ouvir a uma pérola no rádio do carro de um amigo. Não lembro bem o nome do cara que cantava, mas acho que começava com uma coisa de jogar em mesa, do tipo cartas, dominó, porrinha... dado, isso, Dado Dolabela.
Aquilo sim é um exemplo clássico do que um macaco pode fazer com um revólver na mão.
A industria fonográfica, a despeito do chororô pela polêmica onda de pirataria, parece ainda possuir capital de sobra para investir em "coisas" que mal se pode distinguir de um coral de internos de um manicômio.
Nada contra as boy bands, mas que eu as detesto, detesto. Ontem mesmo ouvia na Jovem Pan uma entrevista que me causou preocupação e riso ao mesmo tempo. Os entrevistados eram dois antigos componentes da infame banda Polegar. Minha preocupação foi com a notícia de que a banda estava de volta à mídia, lançando seu novo álbum, que não me perguntem o nome. Meu receio porém só durou até eles cantarem a primeira música de trabalho. A gargalhada foi espontânea e o hit "Mariana" promete ser um estouro nas paradas de todo país - sim, estou sendo irônico.
Sei que é muito cômodo ficar brincando de crítico de música desse modo. Mas como costumo dizer, se o ouvido é meu, cabe-me o direito de criticar o mal que me agride.
Afinal, a vítima aqui sou eu.
Juro que sinto saudades das batidas desavergonhadamente sintetizadas do Depeche Mode, Human League e do Kon Kan. Naquela época pelo menos os recursos eram precários e algo de eletronicamente novo surgia para dar um tempo no bom e calejado rock'n'roll, que andava meio saturado.
Vez ou outra eu me pego viajando no Media Player, a ouvir essas antiguidades jurássicas que, graças à internet ainda podem ser facilmente encontradas na rede.
E na falta de coisa pior para ouvir, prefiro tapar minhas lindas orelhinhas com as palmas das mãos e entoar um mantra a ter que me sujeitar a deglutir as monstruosidades que a mídia quer me empurrar. De porcaria, já me bastam os alimentos geneticamente modificados das prateleiras dos supermercados. Perdão, mas pelos meus ouvidos, não.
KEMIS VIANA DA SILVA - 1:18 PM
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Terça-feira, Setembro 14, 2004
Sobre políticos e fumaça
Há umas três semanas recebi um e-mail de um primo acreano que mora fora.
Lembrei-me a poucos instantes que ele me pedia notícias sobre como andavam as coisas no Acre, mais especificamente a quantas estava a campanha eleitoral.
Negligente que sou, espero redimir meu esquecimento, e principalmente, minha preguiça em escrever e-mails, tentando reportar do melhor modo possível a situação de momento em nosso Estado.
Só não sei bem por onde começo. Deveria eu falar sobre a espessa cortina de fumaça que parece ter se apoderado de Rio Branco, criando aqui um cenário digno dos contos de Edgar Allan Poe? Ou deveria começar fazendo menção primeiro a algo bem mais nebuloso que essa fumaça, ou seja, o desenrolar desse pleito eleitoral?
Vou treinar. Escreveria algo assim...
"Aqui na Terra tão jogando futebol. Perdoe meu hábito de parafrasear, mas é que no Acre as coisas andam um tanto nebulosas. Trocadilhos à parte, tenho me sentido envolto por duas cortinas de fumaça. A primeira é real.
Faz uma quase uma semana que Rio Branco está encoberta por uma grande massa de fumaça, que segundo afirmação dos meteorologistas é procedente do Mato Grosso, onde uma média de 500 focos de incêndio são localizados por satélite diariamente. Logo, o ditado 'onde há fumaça, há fogo' tem encontrado no Acre uma ótima contra-prova. Em todo caso, fumaça de incêndio de florestas em pleno Estado do Acre soa estranho aos forasteiros que aqui pousam, ou que não pousam, já que o aeroporto tem estado fechado.
Com a onda de preservação, desenvolvimento auto-sustentável e derivados, é no mínimo um contra-censo se deparar com situações em que mal se pode distinguir um asceno de 'oi' de um gesto obsceno, estando a pouco mais de 50 metros de distância. E nunca é demais notar que tal fato acaba sendo um prato cheio para os opositores do governo da floresta.
E aproveitando o gancho, passo à segunda cortina de fumaça que me acompanha, esta um pouco mais conceitual.
Diante de situação tão fog, estou totalmente indefinido quanto a quem será o dono do meu voto. A propaganda política da TV, bendita seja (e não estou sendo irônico) mais uma vez me ajudou bastante. Tenho assistido a máscaras que caem, com discursos inflamados que remontam à mesmice de sempre: promessas babilônicas, picuinhas bobas, brigas de meninos buchudos sem a menor objetividade e, claro um monte de políticos aos beijos e abraços com crianças catarrentas, acometidas de barriga d'água.
E tirando o lado cômico dos semianalfabetos dizendo 'meu númuro é...', tenho me deparado com um fenômeno talvez mais intrigante que a súbita invasão da fumaça do Mato Grosso. É uma eleição infanto-juvenil, por assim dizer.
Navegando pelo site do TSE, constatei que uma parcela considerável dos candidatos a vereador em Rio Branco nasceu em anos iguais ou anteriores ao meu. Leia-se, eu tenho 24 anos, sou de fevereiro de 1980 e não me considero suficientemente maduro para, numa situação impensável, assumir uma cadeira pública de tal importância.
'Mas que prepotente!' - devem dizer de mim. De fato, eu não sou a medida de todas as coisas, mas com sinceridade, não seria macho o suficiente para dar um emprego de vereador a nenhum dos 'fraldinhas' que aí se apresentam. Menos ainda sabendo dos laços de família que lhes dão alicerce.
Sei que dentro de alguns dias a fumaça vai passar e as urnas serão abertas. Minhas vistas perderão o aspecto de embaçadas que têm agora e o Roberto Carlos novamente fará o seu entediante especial de fim de ano. Mas até que a vida entre nos seus trilhos habituais, será que alguém teria um colírio aí para me emprestar?"
KEMIS VIANA DA SILVA - 4:10 PM
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004
Ética
do Lat. ethica < Gr. ethiké
s. f., ciência da moral; moral;
Filos.,
disciplina filosófica que tem por objeto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal.
Sabem a ética? Aquele trocinho perdido entre as páginas dos livros de Filosofia?
É sempre bom sabermos que ela não é um artigo de luxo, para uso exclusivo de políticos ou juízes, não.
Ela é perfeitamente utilizável em atitudes bem simples de nossa vidinha cotidiana. Querem um exemplo?
Nos dias atuais, em que o meio eletrônico tornou-se o atalho mais rápido para se manter comunicação com as pessoas, tornou-se
rotina o uso de e-mails repassados, mais conhecidos na área de informática como Fowards (FWD). Por causa deles, vivemos tendo sustos sempre que abrirmos nossa
caixa de e-mail e vemos aquele monte de mensagens das quais não se sabe a origem mas que, por algum motivo, nos foi carinhosamente encaminhado por uma pessoa querida (ou não).
Mantas indianos, receitas para a felicidade, poemas montados em arquivos PPTs que parecem nunca ter fim, correntes do abraço, do beijo, de bruxarias e, os piores disparados: os de anjinhos que ficam batendo as asinhas em gifs animados. E claro, sempre acompanhados da boa e velha sentença imperativa e ameaçadora de fim de página: "se não enviares esta mensagem a 25 pessoas, terás 7 anos de azar...". Parem!!!!
Voltemos então à ética. Ela se encaixa como uma luva nessa situação. Meu apelo é bem simples: resistam à tentação dos FWD's. Sinceramente falando, não há coisa mais brochante do que abrir a caixa de e-mail, todo ansioso por notícias dos amigos, e se deparar em vez disso com uma penca de mensagens que não têm o menor resíduo de sentimento, e menos ainda de originalidade. Para não falar da sensação de desconsideração que elas transmitem. Ou será que alguém se sente especial em receber uma mensagem que diz a mesma coisa para trocentas pessoas e que empunha em seu assunto uma concatenação infinita de FWD:FWD:FWD:FWD...?
A proposta é de que sejam adotados alguns hábitos simples que causariam pelo menos uma boa impressão ao se enviar uma mensagem.
Quando virem uma coisa que realmente achem interessante, engraçado, inteligente, rapassem, isso não é crime. Mas tomem ao menos o cuidado de retirarem aqueles infames sinais de "maior que" (>) da margem esquerda da página, e que representam quantas vezes aquilo já foi repassado.
Tenham a bondade de enviar a mensagem para UM destinatário, e se forem mandar para mais de um, que estes sejam pessoas com algo em comum, como amigos, alunos da mesma sala, enfim, com algum tipo de afinidade entre si. Isto evita aquela impressão de que você anda jogando panfleto na rua sem olhar para quem.
E finalmente, quando a mensagem for realmente de interesse geral e portanto, encaminhado para muitas pessoas, façam a gentileza de pôr UM endereço no "Para:" e todos os demais no campo "CCO:", o que oculta para os demais destinatários o endereço de toda a reca para onde foi mandada mensagem. Assim pode-se evitar, por exemplo, que uma pessoa que nos detesta possa descubrir, de bandeja, o nosso e-mail e, conseqüentemente, uma bela maneira de nos importunar.
Não é chatisse, é ética, pessoal. E um pouco de etiqueta também.
KEMIS VIANA DA SILVA - 2:48 PM
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Segunda-feira, Setembro 06, 2004
O Funeral
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KEMIS VIANA DA SILVA - 12:06 AM
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004
Overflow!!!!
Eu tô cansado. Acordando hoje pela manhã é que me dei conta do nível de estafa em que me encontro.
Caralho, que diabos de vida chata da porra! Todo dia, a mesma coisa, até meus movimentos parecem estar convertidos
em atos condicionados, biônicos. Não tem um programa bom para fazer nunca. Cadê meus amigos? Ah, sim, esqueci. Eu não os tenho mais.
Cadê as mulheres? Ah, esqueci, eu não sou gente.
Eu tô desinteressado de qualquer coisa. Estudo, trabalho. Chega a me dar um asco. Essa vida que tô levando não está
valendo nem pela cueca que eu visto e sujo durante o dia.
O lance é enfiar a cabeça no balde d'água e ver quanto tempo dá para agüentar lá embaixo.
Por isso, cresce cada vez mais em minha cuca a idéia de saltar de paraquedas. Acho que são R$ 250,00 bem gastos.
Se alguém mais se habilitar, entre em contato. Morreremos juntos.

















