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Domingo, Julho 31, 2005


A dieta do palhaço

Com o início da temporada de aparições inesperadas das velhas raposas da política local na mídia, me ocorreu uma daquelas minhas idéias malucas.
Estive pensando em fazer uma coisa parecida com o que o documentarista Morgan Spurlock fez em seu Super Size Me. A título de informação, o cara se propôs, de livre e espontânea vontade, a se alimentar, única e exclusivamente, de fast food do McDonalds durante um mês completo. Quase morre, engordou pelo menos 11 quilos e acabou provando que o palhacinho Ronald McDonald causa dependência, inclusive psicológica, pelo consumo de seus produtos.

Voltando ao plano político, e considerando o fato de que um dos maiores cartéis da imprensa escrita e televisada do estado do Acre é o Complexo O Rio Branco, resolvi me propor a ler e assistir, durante um mês ininterrupto só aquilo que o jornal O Rio Branco e a TV Rio Branco veicularem em seus espaços. Apenas para ilustrar: este complexo de comunicação é de propriedade do coronel-de-barranco Narciso Mendes, que estranhamente, nessas épocas monta barraca nos estúdios da sua emissora e nas colunas de seu jornal, apesar de não ocupar no momento nenhum cargo público, ou qualquer posto que justifique sua constante presença na mídia. Pelo contrário, teve seu mandato cassado em abril de 2003 e foi deposto da Câmara dos Deputados. Em suma, ele é simplesmente, O DONO da TV e do jornal, só isso.

Assim sendo, vejamos qual o efeito que as palavras deles poderão ter sobre mim...

² Richard Wagner - Cavalgada das Valquírias.mp3

KEMIS VIANA DA SILVA - 3:08 PM

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Segunda-feira, Julho 25, 2005



Soturno

"Descansa do som no silêncio, e do silêncio digna-te tornar ao som.
Sozinho, se souberes estar só, deixa-te ir por vezes até à multidão"

Victor Segalen

- Por que as lágrimas?
- Não tô chorando, é vontade de espirrar.
- Olha lá... não precisa ter vergonha. Te incomodo se sentar do teu lado?
- Não. Tudo bem.
- Fica sempre assim sozinho, pensando?
- Não, é que hoje o quarto tava quente. Cansei de olhar pras paredes e saí.
- Veio tomar um ar, então?
- É... foi mais para aliviar, eu diria.
- Sentindo alguma dor?
- De certo modo.
- Você tava chorando, né?
- Não, era coceira no nariz mesmo. Mas bem que podia ser...
- Problemas?
- Você não vai querer saber, acredite.
- Me conta, não tenho pressa.
- Eu costumo encher as pessoas com meus casos, melhor não.
- Duvido que seja tão ruim. Conta, vai!
- Já sentiu alguém apertando seu pescoço, te sufocando?
- Não, graças a Deus.
- É isso que eu tô sentindo agora.
- Meus Deus, por que isso?
- Já desisti de explicar. Quando eu explico, em dois minutos começam a me acusar de ser o culpado.
- Culpado de que?
- De ser tão infeliz.
- Se considera infeliz?
- Não tenho outra opção.
- Me conta tua história...
- Eu não tenho. Acho que deixei de existir completamente já faz uns dias. Pode me dizer uma coisa?
- Claro.
- O que você faria se um dia, você olhasse em torno de si, e visse todas as coisas boas da vida passando placidamente à frente dos seus olhos. E de repente te desse uma vontade maluca de poder desfrutar de todas essas coisas, como todos fazem. Mas aí, se num instante, você descobrisse que tem uma parede enorme te impedindo de seguir em frente?
- Isso acontece contigo?
- ... e como se sentiria se, mesmo assim, sem poder fazer nada, as pessoas ainda apontassem o dedo na sua cara e dissessem: - Mas é tão simples, você que não quer!
- Continua...
- O que você faria se sentisse que todos te detestam, e que, mesmo aquelas que dois meses atrás andavam com você não te suportam mais? O que faria se todas as coisas que você fizesse nessa vida tivessem uma misteriosa capacidade de darem sempre erradas ou de saírem sempre ruins?
- Isso não é possível...
- Olha, eu posso ter uma idéia errada da vida, mas não sei... não pode ser coincidência que sempre que eu tenha tentado ser feliz, no final sempre tenha me sentido repreendido. Não é possível que sempre que eu precisei de atenção, as pessoas tenham me rejeitado por culpa minha.
- É por isso que estava chorando?
- Hoje foi um dos piores dias da minha vida. Se eu tivesse uma arma, já teria feito uma besteira a essas alturas. Mas eu não tava chorando, meu nariz que coçou.
- Olha, é o meu pai no celular, tenho que ir. Podiámos trocar telefones e conversármos com mais calma depois.
- Eu desliguei os meus.
- Ok, mas não fica assim não, tá? Tenta melhorar, você não é má pessoa, percebe-se.
- Tudo bem, obrigado.
- Tchau, hein.
- Atchim!
- É, era o nariz mesmo, me convenceu.
- Eu não falei?

KEMIS VIANA DA SILVA - 12:11 AM

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Sexta-feira, Julho 15, 2005


Síndrome de Ninguém-me-ama

Nos últimos meses de convivência, tenho notado que as pessoas da turma de Economia, onde estou pagando matérias, me olham meio de lado. Ou simplesmente não me olham. É como se eu vivesse a real experiência de não existir. Ou, o que é mais provável, como se eles tivessem uma espécie de código interno, que mantém de fora todos os estranhos. Entendo que isso parece papo de adolescente bobo, mania de perseguição ou só uma estúpida crise de identidade. Mas antes fosse apenas esta a única demonstração de negligência que eu sinto por parte das demais pessoas.
A cada dia que passa, mais eu mergulho na convicção de que realmente eu nasci para ser isolado, ou em outra ótica, uma pessoa mal-querida.
Eu definitivamente não consigo trazer as pessoas para perto de mim. Não consigo ser simpático, carismático. E nas vezes que ensaiei mudar de postura, acabei de decepcionando do mesmo modo. É inevitável, só um milagre me salva. Se fosse em outras épocas, não sei como estaria me virando. Por sorte, ultimamente eu ando tão cansado do trabalho e tão sem tempo que mal posso parar para pensar nas mazelas dessa vida. Em outras palavras, foda-se!