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Sexta-feira, Setembro 16, 2005


As veias abertas da América Latina

Fui ao Peru. E devo dizer: eis aí um país privilegiado. Com um relevo fantástico, marcado por enormes e sinuosas montanhas, aos pés das quais localizam-se lindos vilarejos, de onde irradia vida, e onde a arte e a cultura borbulham intensamente, demonstrando a inestimável riqueza que possui aquele lugar de brava gente, que é a própria cara da América Latina.

08 de setembro, uma quinta-feira, acordei para mais um daqueles dias sem o menor propósito. Então resolvi fazer diferente e pôr em prática meu plano, ainda não muito concreto de visitar o Peru. Foi simples: levantei, abri as gavetas, tirei as roupas para frio melhorzinhas que eu tinha e as empurrei, junto com mais uns dois pares de tênis, dentro de uma mochila que havia comprado na semana anterior. E fui.

De Rio Branco a Brasiléia, táxi, uma paradinha para almoçar de graça, às custas da minha amiga Fernanda e uma corrida rápida até Cobija, para comprar um providencial Memory Stick de 512MB. Assim, não perderia nenhum momento dessa aventura.

Brasiléia a Assis Brasil, mais táxi. Me lembro de ter minado nos olhos um pequeno projeto de lágrima quando, ouvi no som do carro, uma versão do Lenine para aquela música do Luiz Gonzaga, que diz "minha vida é andar por esse país". Cheguei tarde e tive que dormir numa pequena hospedaria. No dia seguinte, fui ao supermercado local, onde havia uma agência da Caixa Econômica para cambiar Reais em Nuevos Soles. Atravessei a pequena pinguela que divide Assis Brasil de Iñapari, já no Peru e após uma negociação básica com o hermano peruano, segui viagem num Mazda velho e sujo, que sabe-se lá quantos anos tinha. Durante o interminável trajeto de quase 4 horas e uns 250 quilômetros de terra pura e Selva Amazônica, tive o inestimável prazer de apreciar os mais renomados e atuais sucessos da música local, como Boney M., por exemplo, que pelo jeito ainda é hit por lá.
Cheguei inteiro e bem sujinho a Puerto Maldonado. Atravessamos o largo rio numa espécie de balsa feita para apenas um carro e seguimos correndo para o aeroporto, onde eu tinha que comprar minha passagem para Cuzco com certa urgência, já que já passava de meio-dia, hora aproximada para chegada do vôo.
Consegui comprar a passagem e me misturei com os estrangeiros, que eram a grande maioria no LAN Peru, que segui lotado para Cuzco
Cuzco ¿ Como direi? Um pedaço de Europa cravado nos Andes. A cidade é limpa (pelo menos até onde eu vi), as ruas são cheias de turistas europeus e americanos. Cosmopolita acima do que eu poderia imaginar. A arquitetura do local remonta aos tempos coloniais, em que a presença espanhola ficou marcada através de seus conventos, igrejas esplendorosas e praças centradas por fontes. De fato, uma visão encantadora, principalmente para mim, que sinceramente, não aguardava por algo tão bonito. Para completar, um clima frio delicioso, com temperaturas, que à noite baixavam para uns 8 graus, acredito. Minha única queixa era para meus lindos lábios, que sem uma manteiga de cacau, começaram a rachar. Ademais, lindos hotéis, cafés e restaurantes. Um luxo.

É difícil contar tudo o que aconteceu durante minha viagem, e os meandros dessa aventura ainda me custariam umas dez laudas. Por enquanto posso dizer que estou de volta, com muita saudade do povo e do lugar, que por uma semana me recebeu com todo o carinho que um turista merece. Saudades também das pessoas maravilhosas que conheci na viagem. Em especial, das duas gauchinhas fofas que me fizeram companhia na terça-feira, e que eram umas poucas pessoas com quem tive o prazer de voltar a falar em português, numa terra onde o inglês e o espanhol eram as línguas oficiais.
As imagens falam por mil palavras. E como foram não menos que umas 240 fotos que tirei desde que saí de casa naquela quinta-feira, compartilho no link abaixo os lindos momentos dessa viagem que não esquecei tão cedo.

http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/kemisviana/album?.dir=/98a6&.src=ph&.tok=phUFJoDB8dStqwoj

KEMIS VIANA DA SILVA - 2:07 AM

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Quinta-feira, Setembro 08, 2005


Passport

Quer saber? Cansei. Vou me escafeder! Hasta luego...



KEMIS VIANA DA SILVA - 2:31 AM

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Terça-feira, Setembro 06, 2005


Me against the city

Será que só eu estou percebendo isto ou todo mundo ficou louco de uma vez por todas? A minha hipótese é: Rio Branco é a cidade mais sufocante deste país.
E não estou me referindo tão somente ao efeito estufa que tomou conta do clima daqui nesses últimos dias.
É verdade que as queimadas este ano ultrapassaram o limite do aceitável, e são um verdadeiro escândalo, sobretudo para quem vive no Estado que deveria ser o da Florestania.
Mas apesar de tudo isto, minha idéia de sufocante, neste caso, diz respeito à literal falta do que fazer que toma conta desse lugar. Entrei recentemente de férias e já até esperava por isso. É desesperador ficar um dia inteiro em casa, derretendo neste legítimo forno urbano. E o mais preocupante é notar que, por mais que você tente, não há meio de imaginar nada de interessante para se fazer. A cidade é apática e este fenômeno se estende inclusive aos fins de semana. Confesso que estou ficando até um pouco paranóico com esta trina: calor infernal - falta do que fazer - tédio.
Só me resta sumir para algum lugar que me faça esquecer, pelo menos por um mês, esta cidade psicótica.

KEMIS VIANA DA SILVA - 4:42 PM

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Sábado, Setembro 03, 2005


Viva Los Hermanos!

Acho que está passando da hora eu prestar um serviço de utilidade pública.
Já venho me prometendo escrever a respeito dos Los Hermanos há algum tempo e ainda não tinha tido tempo.
Pois hoje eu vou dizer: que me desculpem os pobres mortais que admiram outros gostos musicais, mas o som dos Los Hermanos é uma das melhores coisas que já surgiram nos últimos anos na música brasileira.
E o que de tão especial eles têm afinal? Eu resumiria em algumas poucas e concisas palavras: decência, dignidade e sensibilidade.
Talvez não tenha sido mera coincidência o episódio da briga que os membros do grupo travaram com o pessoal do Charlie Brown Jr. em Julho do ano passado.
Aquilo foi emblemático. A eterna briga do mais fraco contra o arrogante.
Não posso negar que uma das fortes razões para minha identificação com o som deles está no meu jeito (e os posts desse blog podem dizer do que eu estou falando).
É um fenômeno universal, os jovens estão a cada dia mais tristes, descrentes e incertos quanto ao seu futuro e o futuro do mundo. Surgiu daí uma forte corrente de pessoas, que alguns convencionaram batizar de "creeps", do inglês, algo como estranho, esquisito.
E quando acontece de um cidadão desses estar num daqueles dias amargurados, louco para desabafar o que está sentindo, mas não encontra palavras, e, de repente se depara com uma letra do Los Hermanos, vem aquele nó na garganta e uma lágrima vem lá de dentro querendo minar no olho.
Dá uma vontade louca de dizer: - Porra, mas era isso que eu tava tentando dizer esse tempo todo e não conseguia!
Acreditem, experiência própria.
A postura humana do Los Hermanos, que dispensa os mitos da cultura do "muito músculo, pouco cérebro" e da competitividade exacerbada típicas dos nossos dias é uma das coisas que mais me comovem no som deles. Essa de "...eu que já não quero mais ser o vencedor" é um chute no estômago do cidadão acostumado a pôr uma estrela no peito e dizer "eu sou o bonzão".
Eles não fazem shows para grandes multidões, não ganham milhões e quase não dão as caras na TV aberta. Ainda bem, pois isso torna aqueles que apreciam seu som um público selecionado, e que sabe realmente o significado do que é bom.
Esses dias mesmo, fui surpreendido com uma deles que ainda não conhecia. Confesso que fiquei muito perplexo pelo grau de semelhança que a letra tem com as experiências próprias. E é com ela que me despeço, transcrevendo abaixo...


A Flor
Los Hermanos

Ouvi dizer, do teu olhar ao ver a flor
Não sei por que achou ser de um outro rapaz,
Foi capaz de se entregar...
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim,
mas mesmo assim

Minha flor serviu pra que você achasse alguém,
Um outro alguém que me tomou o seu amor
Eu fiz de tudo pra você perceber que era eu

Tua flor me deu alguém pra amar
E quanto a mim?
Você assim e eu, por final, sei meu lugar
Eu tive tudo sem saber quem era eu...

E eu que nunca amei a ninguém
Pude então, enfim amar.