Sábado, Janeiro 28, 2006


Cala a boca, Magda-Mainardi

Continuo me surpreendendo com a capacidade que alguns ditos jornalistas têm de fugir do foco das coisas e de agirem como se fossem meros cidadãos de rua, sem honrar sua profissão. Apesar de nosso Estado ser rico em exemplos deste tipo, desta feita, não estou me reportando a ninguém da imprensa local (pasmem). Na verdade, estou me referindo a uma figura, que nos últimos anos abusou do direito de falar besteira. Senhor Diogo Mainardi. Colunista da Revista Veja, comentarista com Programa Manhattan Connection, da GNT, e mala de plantão.
Dono de uma fomidável inteligência, que transparece seu bom nível cultural, o senhor Mainardi tornou-se referência para todo aquele que não compactua com a política do governo atual, ou sendo mais direto ainda, que não gosta nem de ouvir falar do Lula. Especialista no hábito de destilar frases carregadas de uma ironia e sarcasmo, o senhor Mainardi se afasta cada vez mais de sua postura jornalística, sempre que dispara em sua coluna semanal de Veja mais uma de suas bobagens, recheadas de trocadilhos infames. Ou mesmo durante suas participações no programa da GNT, onde é estabelecido um link Rio Janeiro - Nova Iorque, e no qual o jornalista encontra uma ótima oportunidade para propagar para outro país seus pensamentos de direitista enrrustido.
Acompanho vez ou outra os textos do senhor Mainardi e suas atitudes imaturas na TV ou através de streaming. Juro que sempre tentei ser o mais compreensível possível com sua revolta pelo fato de o presidente do Brasil ser Lula. Mas confesso que depois da última vez que o assisti, desisti completamente de encontrar algo de útil em seu discurso e, à muita custa, tive de admitir que ele perdeu o eixo central de sua profissão. Acho que já falei alogo parecido antes. Não sou muito de dar valor a métricas nem a regrinhas de postura. Sempre fui até meio problemático com isso. Portanto, não vejo mal nenhum em se dar uma notícia usando uma linguagem acessível ao grande público, de fácil compreensão. Ou mesmo no modo de vestir ou de se portar. Ser descolado é legal. O caso, é que há coisas que independem totalmente de estática e que nunca serão ditadas pela moda. Coisas como, por exemplo, o ato de ser ético.
Não dá para acreditar na seriedade de um cidadão que se intitula jornalista, mas que não consegue ter outro assunto a não ser falar mal de um governo, só porque não gosta da cor da barba do cara ou da maneira como abotoa o paletó.
Mais se parece o Hardy. Óh vida, ó azar.
Segundo o senhor Mainardi, Lula está morto e enterrado, o petismo acabou, o lulismo foi abaixo. Discurso de quem também levanta uma bandeira, só que de outra cor. Esse dias, postei no Blog do Noblat um questionamento que não sei se alguém respondeu: qual será a cara do so que hoje apedrejam, daqui a uns 3 ou 4 anos, ao constatarem que os políticos que suscederam ao Lula, são tão corruptos quanto os dos dias recentes. Eu não acredito em milagres, nem em fada do dente, e muito menos que essas amebas que utilizam os meios de comunicação e seu grande raio de abrangência para propagar sua acidez, critiquem só pelo honroso ato de desacobertar o que é errado. Como bem diz o ditado popular, essas almas querem reza. Não creio que o senhor Mainardi se incomode muito o estado de necessidade da grande parcela pobre e necessitada da população; não creio que ele vá de trem para os estúdios gravar seus programas, se esfregando no meio de um monte de trabalhadores. Eles estudaram nas melhores faculdades e tiveram a oportunidade de obter um nível intelectual privilegiado, para hoje se travestirem de falsos jornalista, enquanto fazem discursos para os senhores de black-tie, sentados em suas poltronas na linda e riquíssima Manhattan. Senhor Mainardi, diz-me em quem votas e eu te direi quem és!

KEMIS VIANA DA SILVA - 5:12 PM

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Quinta-feira, Janeiro 26, 2006


Owner of a lonely heart

Vez ou outra isto se repete. Me pego acordado até uma hora dessas, quando o dia já deu tudo o que tinha para dar. Sei que tenho de dormir e estar pelo menos apresentável para mais um dia de trabalho no dia seguinte. Mas algo inexplicável me causa a inquietação de quem ainda tem algo para dizer, ou para fazer. Há algo que quem não sabe o que é solidão devia saber. Quando cai a noite, ficamos meio sem chão. E o simples fato de ir para a cama com a certeza de não pertencer a ninguém causa uma estranha sensação de melancolia noturna.
Antes de voltar para casa, a mais ou menos uma hora atrás, conversava com uma amiga sobre casamento e relacionamentos num geral. E talvez pela primeira vez admiti a alguém que hoje já aceito sem resistência o sentido da necessidade deste abominável mal necessário chamado casamento.
Em parte, pode ser mera perpetuação da espécie. Medo de estar só. Mas creio que seja algo um pouco mais complexo e inexplicável que essas obviedades. Não há o lado de lá de uma ponte sem que haja o lado de cá, e vice-versa. É nesse sentido de complementação que eu acredito. Uma parte humana que completa a outra parte. Nada substitui a plena sensação de complementar e ter a vida complementada por alguém.
Talvez eu case, ou melhor, talvez alguém queira algum dia casar comigo. Ou talvez não. Entre um e outro, que ao menos eu tenha o privilégio de um dia dizer: eu fui amado.

KEMIS VIANA DA SILVA - 3:41 AM

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Domingo, Janeiro 22, 2006


72.600

Fabricante: Chevrolet. Carro: Celta. Usado. Cor: Vermelho Lira. Pintura: em ótimo estado de conservação.
Pára-brisa: fumê 75% (100% na verdade, mas não contem prá ninguém, ok?)
Motor: 1.0 VHC. Direção: não-hidráulica. Vidros: não-elétricos. Rodas: esportivas. Ar condicionado. Trava elétrica. Twiter e Módulos.
Hodômetro: 72.600 km rodados. Aquisição: entrada + 36 longas parcelas. Fonte de recursos: próprias. Aceita-se apelidos. Este é meu carro.

KEMIS VIANA DA SILVA - 2:43 PM

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Quarta-feira, Janeiro 18, 2006


Irreversível

Estive me lembrando hoje por alguns instantes dos tempos bons da época da minha primeira faculdade. Só tinha 19 anos quando comecei a fazer o, na época, curso de Análise de Sistemas. Me lembro que era tudo novo. Gente nova, ambiente novo, desafios novos. Me lembro do quanto fiquei perdido logo de cara com a matéria de algorítimos, e que sentia ódio quando via que uma meia dúzia de filhos-da-mãe conseguia entender aquela loucura e tirar notas boas, enquanto eu só me ferrava. Os mesmos filhos-da-mãe que, meses depois, se tornariam meus amigos. E quantos amigos...., uns "mui-amigos", outros tantos, falsos amigos, e outros - pouquíssimos, é verdade - amigos para toda tormenta, "de rocha", como se diz por aí. Lembro de gente que passou de relance e depois sumiu para sempre. Lembro das partidas de dominó atrás do banheiro masculino, onde os veteranos, querendo intimidar, diziam que cursavam a disciplina de Dominó I, Baralho Elementar, e por aí vai.
Lembro da postura polida da professora Teresa, ótima pessoa, sempre nos incentivando a pensar o curso de maneira positiva.
Lembro de ter começado ali minha febre pela noite. Das eventuais festinhas da galera, do futsal nas noites de quinta (Deus, como eu jogava mal!) e de depois do futsal irmos para o estacionamento do 14 Bis todos suados. Lembro do Mamão Café (no tempo da pista de dança no chapéu de palha), nosso ponto de encontro nas noites de sábado. Caracas, que saudade!
Também lembro das decepções, de episódios não muito alegres para mim, mas que fizeram parte daqueles dias, da mesma forma.
Eu não concluí aquele curso. Quiçá, jamais conseguirei terminar. É página virada, hoje tenho outros planos.
Continuo aluno da UFAC, e toda noite assisto religiosamente às minhas aulas no curso de Economia. Mas não tem jeito, é incomparável. Lá não tenho nem um décimo dos colegas que tinha antes, da animação e da euforia que tinha lá pelos idos de 1999.
Como eu mudei! Quanta bobagem eu falei naquela época e hoje reconsidero! Quanto eu amadureci, bicho! E quanto recrudesci também!
Interessante a maneira como certas coisas acabam sendo trasmitidas de uma geração para outra. Hoje entendo o que os mais velhos querem dizer quando entoam aquele clássico: êta, tempo bom!
Eu também tive minha vez, e o processo de perda dos dias passados é irreversível. Pelo menos eu vivi.
Saudações, por onde quer que estejam agora, aos meus queridos amigos, que passaram e deixaram lembranças....
- Sílvio, Gleisson, Fabrício, James Kleber, Dácia (mãe), Rose (mãe), Thaís, Raildo, Mheig, Andréia, Tânia, Vander, Edclei, Keyla, Willian, Benedita, Léo Brito e Léo Barroso, Assis (Fish), Robson Negão, Jorge, Stefen, Renato, Ana Claudinha, Nilton Sandro, etc. etc. etc....


KEMIS VIANA DA SILVA - 1:14 AM

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Domingo, Janeiro 01, 2006


O sentido das coisas

Acho que, passados todos esses anos, ainda não consegui compreender o significado de muitas coisas. Entre tantos mistérios dessa vida, posso citar pelo menos um que ainda não consegui digerir muito bem: celebrações de fim de ano. Como pode algo relativamente tão redundante quanto um reveillón causar um estado praticamente de psicose no inconsciente coletivo, se isto nada mais é do que uma simples passagem de um número para outro, e que por conveniência resolvemos chamar de ano? Seria por causa dessa tal necessidade de celebrar a vida? Se for, talvez esteja aí a resposta. Não é nada fácil celebrar algo quando não se tem nada exatamente o que comemorar. E eu devo dizer que não tenho nada o que celebrar.
Sem dramatismos. Esse não foi um ano de todo ruim. Piores já se passaram. Hoje tenho uma certa estabilidade financeira, satisfaço constantemente meus desejos materiais, nem eu nem minha família passam por grandes problemas de saúde e aparentemente vivemos sob um ar de paz. Minhas neuroses de rotina diminuíram consideravelmente ao longo deste ano, e hoje posso dizer que estou bem mais relax do que em anos anteriores.
Mas aquilo que falta em minha vida (e posso dizer que falta muito) corresponde a uma porção tão importante, que não me atreveria em nenhuma hipótese a dizer que estou realizado de alguma forma. Me falta algo formidável, indescritível, e que na sua ausência me causa um vazio absurdo.
Meus dias têm se transcorrido sem o menor objetivo, na mais legítima sensação de quem caminha para o nada, sem saber exatamente para onde está indo. É o tipo de sentimento que cria uma amargura no peito e uma incômoda sensação de angústia, irritação, até mesmo inveja ao se testemunhar simples cenas do cotidiano, como a imagem de pessoas em momentos de plena alegria, como ocorre no reveillón.
A cada dia que se passou desse ano, mais eu me convenci de que nesta vida parece haver uma irrevogável seleção entre as pessoas, que tende a classificá-las como as alegres e as tristes. Eu pareço ter nascido para ser triste, quieto, calado, na minha, e principalmente, sozinho.
Não parece haver fórmula que me cure desta síndrome-de-ninguém-gosta-de-mim. Sinto as pessoas se afastando de mim, como se eu fosse algo repulsivo, e isso magoa bastante.
As vitórias obtidas ao longo de um ano também parecem ser uma ótima razão para comemorar e são outro aspecto que faz sentir mal, pois me sinto vencido na maioria de meus intentos.
Por essas e outras, as celebrações de fim de ano para uma pessoa como eu realmente são uma coisa no mínino sem sentido. Ainda mais se entrarmos no mérito das promessas e desejos para o ano que começa.
Espera-se sempre por coisas oníricas, espetaculares, mas irreais. Por que sempre se espera que para o ano que vem ocorram eventos que nem nos anos anteriores nem nos próximos irão acontecer? Não seria mais fácil sonhar com coisas mais racionais e alcancáveis. Por que todos os grandes sonhos precisam ser realizados de uma só vez no ano que chega? Poderiam pelo menos deixar sobrarem alguns outros para os anos vindouros.
Eu não acredito em milagres e tampouco tenho algo para celebrar nesse fim de ano, assim como fora em tantas outras ocasiões. Fins de ano têm causado sim bons traumas para o resto de minha vida. Mas, mesmo assim, não me recuso a clamar para que os próximos anos sejam melhores que os anteriores. Que esta minha situação de isolamento seja contornada e que eu não precise mais me sentir tão sozinho quanto hoje. Nem que seja para daqui a mais um ano, no reveillón de 2006, eu precise estar de novo aqui, falando sobre essas celebrações bestas e mais uma vez desejando para si essas coisas mirabolantes, que sei muito bem, nunca vão se realizar.