My status admin arquivos vlog

Segunda-feira, Junho 26, 2006


Rio pra não chorar

Dando continuidade ao meu intrépido mês de férias, resolvi encarar uma semana no Rio de Janeiro. Algumas impressões e situações inerentes à viagem merecem ser destacadas.
Primeiro, como eu já esperava, trata-se de uma cidade extremamente linda do aspecto panorâmico. De fato, um lugar tocado pelos dedos da divina providência e esculpida com uma beleza que confere à cidade uma espécie de sensualidade arquitetônica.
O Rio continua, a despeito de todos os clichês de "Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil", impressionando os olhos de seus visitantes por suas características físicas e pessoais de seus cidadãos. E aí que entram os pormenores a serem considerados. Sendo bem direto: favela.
Como viagens desse tipo costumam mexer intimamente com os conceitos de certo e errado de pessoas, que como eu, são de cidades pequenas, não saberia afirmar ao certo se aquele caos no qual se constituiu o panorama urbano do Rio seria exatamente uma sucursal do inferno ou se deveria ser tratado como algo normal.
Não sou muito de constituir opiniões simplistas sobre as coisas, por isso tendo a acreditar na segunda hipótese.
Sendo mais atrevido ainda, eu diria que a favela deixou, faz algum tempo, de ser mal vista e pode se considerar hoje como mais um cartão-postal do Rio. Aquilo está no sangue, já está hibridizado com o cotidiano e a vida da cidade.
Tive a sedimentação desse conceito enquanto caminhava no calçadão de Copacabana, e apreciava aquelas vans passavando a todo vapor pela lateral da via, com um mulatinho gritando da janela:
- Vidigal, Rocinha, Maré!!
Nas palavras de Chico Science, "a cidade não pára, a cidade só cresce". Mas, pelo menos, a impressão que tive é a de que o Rio não nega a existência desse aleijão, e reconhece, ainda que de modo meio desconsertado, a importância sócio-cultural que tem para a cidade aquele problema velado e situado morro acima de suas encostas.
De um Rio para outro, uma inesperada depressão após minha chegada sábado à noite no Acre. Acordei e passei o dia inteiro meio para baixo, ao sentir o forte impacto do contraste entre aquele ambiente carioca e nossa vidinha pacada daqui.
Já rodei por uma porção de lugares desse país Brasil e alguns de nossos vizinhos. Já fiquei dias, semanas, meses distante de casa em outras ocasiões, e nunca havia sentido algo parecido. Não sou de me impressionar com as cidades por aí a fora, pelo menos não de maneira a sentir repulsa por minha terra natal. Pelo contrário, sempre me vem aquela sensação de estar no conforto de meu lar. Mas dessa vez, dessa vez... Me senti andando prá trás.
Sei lá, nada que um bom tacacá, com uma concha extra de goma, à tardezinha no Canal da Maternidade não resolva.
Welcome home, Mr. Kemis.

Fotos da viagem